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Precisamos falar sobre Ciência, Tecnologia e Inovação

Jonathan Henrique Souza é diretor de projetos especiais na Secretaria de Desenvolvimento Social e gerencia um programa intersetorial de combate à extrema pobreza no estado, o Percursos Gerais. É pós-graduando pelo Master em Liderança Pública do CLP – Centro Liderança Pública, e Mestre em Inovação e Empreendedorismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

26 de abril de 2021 | 10h33

A pandemia lançou luz sobre uma questão extremante relevante para a sociedade: a forma como tratamos a ciência. O mundo se viu diante de um dos desafios mais complexos vividos pela história recente, um novo vírus altamente contagioso. E nesse contexto, o mundo se virou para a ciência na esperança de uma resposta rápida e eficiente.

Porém, a necessidade de reflexão e análise se fez presente em diferentes contextos. Como estávamos tratando a ciência nos últimos anos? Os países que saíram na frente na corrida pela vacina têm algo em comum, as escolhas que fizeram ao longo dos anos quanto ao investimento em pesquisa.

Vacinas são produtos complexos e o seu desenvolvimento demanda uma equipe especializada, infraestrutura e, principalmente, investimento. Os países que saíram na frente escolheram há anos investir em pesquisa. As tecnologias das vacinas mais modernas já estavam sendo pesquisadas, o que houve foi uma atitude performativa para adaptar uma tecnologia em desenvolvimento ao novo contexto. Aqueles que se destacaram certamente estavam preparados para o futuro.

A pandemia mostrou ao brasileiro o quão qualificados são seus institutos de pesquisas, universidades e o seu riquíssimo quadro de cientistas espalhados pelo país e mundo. Todavia, também ficou evidente como a pesquisa e desenvolvimento foi deixada de lado durante os últimos anos. Laboratórios públicos que ficaram no papel, corte de bolsas de pesquisas, sucateamento da infraestrutura universitária. Investimento em pesquisa básica feito em conta gostas. Ataques às universidades e aos pesquisadores. O que deveria ser visto como investimento, recebeu o rótulo de gasto.

Então fica a pergunta, será que aprendemos com a pandemia? Será que abrimos os olhos para os desafios que estão por vir?

Investir em Ciências da Vida é fundamental e estratégico. Temos universidades desenvolvendo vacinas para Covid-19, testes rápidos de baixo custo, diversos tipos de tratamentos que poderão ser utilizados para esse momento e possíveis outros. Estávamos preparados para sequenciar o genoma do vírus porque temos um histórico de pesquisa do Zika Vírus. Assim como tínhamos outras pesquisas de vacinas que foram direcionadas para a Covid-19.

A tecnologia do 5G está cada vez mais próxima e como estamos nos preparando? Iremos lidar com a realidade de carros autônomos, serviços mais dinâmicos, internet das coisas, dentre outras inovações digitais que terão impactos diretos no mundo físico? Estamos qualificando as pessoas para as mudanças que essa tecnologia irá causar no ambiente profissional?

E as mudanças de paradigmas postas pelas decisões que foram tomadas na Cúpula do Clima, em 2021? Como o Governo está investindo no desenvolvimento de novas soluções para a redução de emissão de carbono? Iremos aumentar o investimento na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias ainda este ano ou iremos esperar que todos nossos acordos econômicos sejam suspensos por não termos nos planejados?

Conheço a universidade e sei do potencial que ali existe, todavia, é necessário tomarmos uma decisão como sociedade e escolhermos investir em pesquisa e desenvolvimento. Precisamos sair da pandemia cientes que não se trata de gasto ou balbúrdia, mas sim de muito trabalho que demanda esforço coletivo.

Precisamos aprender e reforçar, cada vez mais, que investir em ciência é olhar para o futuro.

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