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Pandemia: O resgate da valorização do serviço público e da atuação do gestor

Rosana Daliner Acosta Marchese é professora, pedagoga, Mestre em Educação e Especialista em Avaliação Educacional, é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública – MLG. Atualmente Assessora Administrativa da Secretaria Municipal de Educação de Londrina-Pr Maria Tereza Paschoal de Moraes é professora, advogada, intérprete de libras, ex-Secretária de Educação de Ourinhos – SP e líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública – MLG. Ela foi vencedora do Prêmio Espírito Público no Brasil – Educação em 2018. Atualmente é Secretária Municipal de Educação de Londrina – PR.

29 de julho de 2020 | 11h00

Nas últimas décadas tem sido considerável o aumento pelo interesse e estudos referentes à atuação do gestor público nas esferas federais, estaduais ou municipais. É unanime o reconhecimento que o bom desempenho dos gestores é fundamental para que se obtenham resultados positivos no desenvolvimento de políticas públicas efetivas e replicáveis.

Diante desta agenda os cursos na área de gestão cresceram e oferecem um rol de reflexões com intuito de instrumentalizar pessoas que apresentem perfil e desejo de desempenhar funções de liderança nos órgãos públicos, tanto em cargos eletivos como em cargos contratados. O cerne da grade curricular aborda disciplinas voltadas para estudos de organização política, liderança e gestão, pois são temas indissociáveis na prática. O objetivo é capacitar os gestores para que possam planejar as ações institucionais reduzindo custos administrativos, ampliar os serviços e as ações, potencializar as políticas públicas, elaborar projetos e programas por meio de levantamento de necessidades e demandas, implementar projetos e programas existentes, elaborar processos licitatórios e contratos administrativos e por fim promover gestão compartilhada. É a ciência administrativa na prática, ou seja, a visão do administrador público se concentra na qualidade da prestação de serviços com economicidade, priorizando a competitividade nas ações e os respectivos resultados devem estar relacionados aos interesses sociais.

Mas e agora? O que fazer numa situação tão inusitada no enfrentamento da Pandemia? Com a crise gerada pelo Covid-19, vieram novos problemas e velhos dilemas acerca da realidade econômica, social e política, são pontos nevrálgicos. Concomitantemente surgem aquisições que não estavam planejadas, tomadas de decisões urgentes, a inserção do home-office nos serviços de rotina, a emergencialidade em ampliar políticas públicas já existentes, a pressão da imprensa, conflitos entre as três esferas do poder executivo (federal, estadual e municipal), as instituições de controle, fiscalização acirrada do Ministério Público e eleições municipais agendada. Os gestores dormiram e quando acordaram o caos estava instaurado.

A Pandemia chegou e colocou todos os gestores públicos em xeque, as portas estão escancaradas os problemas estão expostos, a desigualdade social mais que evidente, o cenário é quase de guerra. Mas nem tudo está perdido, é na crise que se tem grandes transformações, a História mostrou isso para humanidade, e esse momento é muito promissor para os gestores públicos que realmente se prepararam para desafios. Se era difícil em dias normais com o vírus o cenário ficou mais complexo. O serviço público desacreditado por décadas pode ser resgatado, a valorização que ora estava em baixa tem começado a tomar novos rumos. Aqueles gestores que buscam e investem em formação e capacitação contínua, que visam desenvolver um trabalho com eficácia e eficiência, que tem empatia pelo cidadão e que tem como meta desenvolver com afinco as atribuições inerentes a sua função, esses serão os que superarão a crise e farão dela motivo para restabelecer a confiabilidade na prestação do serviço público.

O gestor que se preparou e que entendeu que eficiência é fazer as coisas de maneira correta e eficácia são as coisas certas (Drucker 2003, p. 298), vai ter o que comemorar. Quem estava acostumado a prestar contar, demonstrar transparência sob qualquer pressão avaliativa, atender o cidadão na exata medida, com uma organização interna e aproveitar recursos públicos disponíveis garantindo o serviço coletivo sem se distanciar dos objetivos da administração pública, terá destaque.

A população neste momento está com os olhos focados nos gestores, cada cidadão dentro do seu contexto aguardam todos os dias as orientações, os desfechos, os apontamentos, as justificativas, as explicações para cada tomada de decisão. É um paradoxo, ou ironia do destino, mas todos, independente da situação financeira, morando no bairro de luxo, no prédio, na vila ou na comunidade, acompanham as ações dos gestores. São inevitáveis as críticas, mas o importante é que todos estão atentos.

Os gestores preparados entenderam que os efeitos da Pandemia não se limitam somente aos impactos imediatos, mas exigem considerar a duração e o pós-pandemia. Pensar e planejar combinando ações de médio e longo prazo, que foquem principalmente na redução da vulnerabilidade social. Ter o cuidado e compor uma seleta equipe que trabalhe incansavelmente no fortalecimento dos procedimentos do controle interno, uma vez que podem evitar irregularidades ainda nos processos iniciais, e priorizar o diálogo entre os órgãos de controle pode evitar transtornos futuros.

A hora é agora para aproveitar o momento e apresentar a sociedade soluções e políticas públicas eficientes e eficazes, mostrar que existe muita gente comprometida com o bem estar das pessoas, que se pode fazer mais gastando menos, usar todos os impedimentos e obstáculos como molas propulsoras na busca de soluções inteligentes, ampliar fontes de recursos, mostrar serviço e defender aqueles que sempre esperaram dos gestores públicos soluções básicas e fundamentais para proporcionar qualidade de vida e equidade de direitos.

Os cursos de gestão pública estão em alta, muitos já passaram por eles e desenvolvem de forma sistemática um conjunto de práticas alinhadas com princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade o que resultam numa a gestão séria e criteriosa preocupada com uma sociedade transformada. O momento é de apresentar os resultados de uma prática fundamentada em estudos, pesquisas e evidencias, afinal a administração pública é ciência.

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