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Os invasores quase invisíveis que afetam saúde e economia

Humberto Dantas

01 de outubro de 2019 | 15h23

Autora do texto:

Magda Lisboa é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública – MLG, diretora da empresa Attiva Estratégia e tem vasta experiência no setor público e privado.

Neste conteúdo, Magda conta sobre iniciativas do setor público que tratam de problemas ambientais aparentemente invisíveis, mas complexos. Confira:

A gestão pública é um tecido de uma trama muito complexa e sutil, sugere-se metaforicamente: “Diga com que fios se veste, que lhe direi quem é”, mas infelizmente não é assim. Os problemas aparentemente grandes tomam voz da mídia e do povo. Enquanto isso, os pequenos – invisíveis, mas não menos complexos – demandam esforços para serem declarados, tratados e trazidos à tona.

No tema presente trago o Mexilhão Dourado e o Coral Sol. Estas espécies invasoras estão dominando de forma descontrolada o BIOMA mundial. Reduzir esses impactos requer uma abordagem interdisciplinar e o envolvimento dos governos federal, estaduais, municipais e empresas e sociedade civil. As espécies invasoras são consideradas a segunda maior causa de extinção de espécies no planeta, afetando diretamente a biodiversidade, a economia e a saúde humana.

O Mexilhão Dourado é um invasor que chegou ao Brasil em 1998 – é uma espécie exótica que veio de navio da China, entrou pelo Rio Prata na Argentina e rapidamente se alastrou pela América Latina. No Brasil, nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, já está na Bacia do São Francisco e também no Rio Grande.

A praga gera prejuízos para a economia brasileira na ordem milhões anuais para cada uma das usinas afetadas. Ter que parar as máquinas para limpeza, retirar os mexilhões das tubulações e grades para poder retornar à produção de energia elétrica gera altos custos.

A globalização e o comércio feito por navios possibilitam que seja levado para outros ambientes muitos invasores exóticos, que acabam não tendo predadores locais e, dessa forma, se disseminam rapidamente. Eles interferem na cadeia alimentar, nas relações ecológicas, causam desequilíbrio e riscos à saúde do ser humano. Isso porque os peixes se alimentam deles e a gente se alimenta desses peixes.

Diante desse desafio, a Bio Bureau Biotecnologia, uma spin-off do Laboratório de Biologia Molecular Ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro, apoiada pelo Programa de P&D ANEEL da CTG Brasil, iniciou em 2017 o desenvolvimento de uma estratégia biotecnológica radicalmente diferente e definitiva: usar técnicas de biologia sintética para alterar a informação genética contida no genoma do mexilhão invasor a fim de acabar com sua capacidade reprodutiva. O resultado será um mexilhão dourado geneticamente modificado (GM) que, ao se reproduzir com mexilhões selvagens em reservatórios de UHEs, transmitirá de forma acelerada a infertilidade para as próximas gerações, colapsando as populações da espécie.  A CTG Brasil acaba de ser reconhecida e certificada pela excelência de suas práticas ambientais durante o XVII Bench Day.

Outra espécie invasora que tem gerado grandes problemas no mundo petrolífero é a bioinvasão por Coral Sol, grande ameaça aos descomissionamentos de unidades petrolíferas no Brasil, dentre outros. Inspeções em cascos de navios e plataformas, equipamentos, dutos e linhas submarinas mostram uma infestação sem precedentes, caracterizando que esta espécie, além de tudo, é predadora para a vida marinha nativa.

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Os questionamentos sobre o que fazer, como combater, como evitar, como limpar, ainda não têm uma solução técnica. Neste sentido, a BIO BUREAU, através de incentivo de P&D com a Repsol Sinopec Brasil, tem em execução um programa de desenvolvimento tecnológico que culmina em uma ou mais ferramentas biotecnológicas para melhor identificar, mapear, monitorar, controlar, prevenir, remover e/ou erradicar a infestação do Coral Sol.

O projeto GeSUN tem o objetivo de sequenciar o genoma completo das 3 ou 4 espécies de Coral Sol presentes e consideradas invasoras no Brasil, bem como a identificação de parâmetros genéticos específicos de cada espécie. Órgãos ambientais, como o IBAMA, necessitam de informações sobre este ecossistema, por exemplo.

Essas questões parecem invisíveis frente à problemática de um país com tantas questões políticas que chamam a atenção, mas são problemas reais se alastrando pelos oceanos que precisam de muita atenção e investimento. E, mais do que isto, são problemas mundiais e o Brasil, através da BIO BUREAU BIOTECNOLOGIA, com apoio da CTG e Repsol, está no pioneirismo de P&D&I, com iniciativas que contam com cientistas capacitados em know-how inovador, além de softwares de inteligência artificial.

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