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Os 100 primeiros dias de gestão dos prefeitos

Humberto Dantas

13 de abril de 2017 | 07h01

Autoria: Tadeu Luciano Seco Saravalli é advogado, especialista em Gestão Pública pela UFScar, Líder MLG, membro do Grupo Temático Clima e Energia da Rede Pacto Global da ONU, membro da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas e atualmente trabalha na Secretaria Municipal de Gabinete de Birigui-SP.

Dia 10 de abril os prefeitos brasileiros completaram os 100 primeiros dias de gestão do atual mandato. O Chefe do Poder Executivo tem como objetivo realizar as ações constantes do Plano de Governo, aprovado pelos eleitores à época de sua candidatura. Ao assumir a Prefeitura, constata-se que existem outras demandas da sociedade, a realidade do funcionamento da máquina burocrática e os meios para realizar seus programas e projetos. Ele não apenas guia e aponta direções, mas é capaz de fazer um diagnóstico preciso, identificando problemas que não são meramente técnicos, mas também adaptativos.

O centésimo dia de governo é um marco crítico e significativo, onde sua importância faz com que ele seja um ponto de destaque no capítulo do mandato. Ele representa a referência essencial e a percepção do novo gestor para a sociedade, norteando-a de qual será o caminho e o ritmo do governo nos próximos quatro anos. Pode-se falar que muitas vezes é a ocasião de se tomarem medidas amargas: corte de cargos comissionados, redução de valores de contratos, alteração de estrutura administrativa etc.

É neste momento também, que já se deve revelar no novo gestor público a capacidade para gerenciar projetos, no sentido de produzir resultados de impacto, tangíveis, mensuráveis e pactuados com as partes envolvidas: Equipe de Governo, Câmara Municipal, servidores, conselhos, munícipes e a sociedade civil organizada.

Esse trabalho em rede inclui, principalmente, o envolvimento e a integração entre os setores e os colaboradores do Governo em suas diversas instâncias de apoio técnico e administrativo. Uma postura gerencial intensiva durante este período estimula mudanças para transformar intenções em resultados práticos e rápidos, exercidos através da liderança. A liderança é exercida na prática cotidiana com sensatez.

Neste particular, vale lembrar o conceito de Liderança Adaptativa, criado por Ronald Heifetz, Professor do Center for Public Leadership da Universidade de Harvard. Para o autor, as cinco ações de destaque para os líderes públicos são: o diagnóstico, a exposição do desafio, a mobilização das pessoas, a regulação do nível de conflito e a institucionalização.

Desta forma, o Prefeito Municipal deve identificar corretamente os principais problemas a serem resolvidos em sua gestão. Os problemas técnicos envolvem infraestrutura, falta de equipamentos, limitação de pessoal, atraso tecnológico etc. Os problemas adaptativos são mudanças na cultura da organização, nos valores e competências.

Nesses pouco mais de três meses, o prefeito já deve ter identificado os desafios e com uma boa comunicação lidar com seus colaboradores visando ao aumento do engajamento da equipe para assumirem suas responsabilidades. A empatia é determinante nos relacionamentos, notadamente, para o gestor público compreender o outro, ser flexível e solucionar/mediar conflitos. Por sua vez, o conflito, quando bem administrado, pode gerar bons frutos e colocar as pessoas em ação voltadas para os objetivos do líder público.

A partir desta postura, o gestor público é capaz de criar um ambiente para institucionalizar as mudanças de cultura, que devem fincar raízes na instituição consolidando-se em novas rotinas e processos mais eficientes e necessários para a municipalidade, os quais serão percebidos pela sociedade.

Agora, faltam 45 meses para o encerramento do mandato. O que se observa é que para a política o tempo é longo, mas para a gestão o tempo é curto. Por tudo isso, o cenário de oportunidades de início de gestão, caso bem administrado pelo Prefeito Municipal, pode ser o alicerce de um excelente mandato de um bom gestor público, futuro líder e estadista.

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