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O ensino remoto é um desafio em tempos de pandemia

Humberto Dantas

18 de junho de 2020 | 15h16

Autora do texto:

Aline Costa Cavalcante de Rezende é graduada em Matemática e pós-graduada no Master em Liderança e Gestão Pública (MLG) pelo CLP – Liderança Pública. Atualmente é Coordenadora Geral de Recursos Humanos da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro,o que envolve gestão de pessoas e contratos com ações de planejamento estratégico, melhor utilização das verbas públicas e melhoria no atendimento.

No texto, Aline fala sobre a dificuldade que crianças e adolescentes estão passando para estudar no período de pandemia. Dentre outras desigualdades escancaradas pelo novo coronavírus, o acesso a tecnologia e internet foi uma delas. Leia para entender mais:

Muito tem se falado sobre o uso do ensino remoto na educação básica em meio a Pandemia. Uma explosão de vídeos, atividades virtuais, plataformas e aplicativos, de acordo com a estrutura escolar e iniciativas governamentais.

O ensino na educação básica de repente precisou ser remodelado e a concepção de ensino se alargou propiciando uma ampliação do uso de tecnologias. Escolas, professores e alunos se viram, de uma hora para outra, tendo que se adaptar a um novo formato de possibilidades em meio às angústias, inseguranças e fragilidades emocionais causadas pela pandemia.

Muitos são os desafios que assolam o cotidiano em todas as esferas. Um velho problema se tornou ainda mais transparente: desigualdade social, tecnológica e econômica. Na educação, a perda da interação presencial e direta entre alunos e professores ressignifica a consciência social tão importante no meio escolar.

Para a reflexão quanto a desigualdade fica evidente ao analisarmos os dados do IBGE (PNAD Contínua TIC): o número de domicílios com acesso à internet subiu de 74,9% em 2017 para 79,1% em 2018. Mesmo com a alta, o acesso às ferramentas tecnológicas no país ocorre de forma heterogênea. O percentual de casas com computador, por exemplo, caiu de 43,4% em 2017 para 41,7% em 2018.

De forma concreta e prática, vimos clarificado o problema quando o governo liberou o aplicativo para que a população com direito ao auxílio emergencial se cadastrasse. Uma grande parcela da população brasileira, invisível, apareceu nesse momento.

Apesar dos esforços em manter os vínculos educacionais através do regime excepcional remoto, nos deparamos com esta parcela considerável da população sem condições ao acesso tecnológico. O que antes era invisível passou a ser um impeditivo contundente para a aplicação das propostas do uso de mídias na educação e um catalisador potente do aumento da exclusão.

Mesmo as que possuem acesso, as condições em que vivem e são submetidas se mostram desfavoráveis à aprendizagem. Como ficam essas crianças e jovens? Muitos têm sido os esforços em mitigar essa carência através da disponibilização de materiais impressos encaminhados aos alunos sem acesso à internet, ações que visam manter o vínculo com a família trabalhando aspectos socioemocionais e outros. No entanto, a lacuna existe e nos faz refletir o quanto é necessário avançar e o quanto de trabalho pós pandemia existirá para todos nós.

Para as crianças e jovens que possuem acesso à internet resta o desafio de aprender a gerenciar o tempo dentro de casa e ter disciplina para estudar, tudo isso no contexto de stress por estarem confinados em casa, longe dos amigos e professores e vivendo o contexto de uma pandemia internacional.

E se não bastassem todos esses pontos, é relevante não nos esquecermos de refletir e planejar ações para amenizar os efeitos da evasão escolar e quão duros serão seus impactos no pós pandemia. Para tanto, a importância das instituições de ensino manterem o vínculo com seus alunos e com suas famílias é fundamental. De alguma forma o elo precisa ser mantido a fim de minimizar seus efeitos. Por fim, o que já sabemos é que esta pandemia nos deixou ainda mais desiguais e que temos muito o que avançar e fazer.

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