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O Brasil do futuro

Humberto Dantas

25 de outubro de 2018 | 16h17

Texto de autoria de: Isabel Opice, economista, mestranda em Harvard e líder MLG.

 

Acompanhar as eleições de longe tem sido uma experiência intensa. Daqui, percebi que é muito mais difícil viver a história do que se debruçar sobre ela. Falar sobre uma “década perdida” é infinitamente mais fácil do que viver cada um desses dez anos. Um dos livros que trouxe do Brasil traz o título de “Tempos Instáveis”, é uma coletânea de artigos escritos há aproximadamente três anos. Olhando para trás, o passado não parecia tão instável quanto o presente e é difícil saber onde estaremos no futuro.

Mas o que não precisamos agora é de mais pessimismo. Por causa da distância, me permito em alguns momentos parar de pensar sobre o presente e olhar para o futuro. No livro “Trópicos Utópicos”, Eduardo Gianetti da Fonseca faz um convite para sonhar o Brasil. Nas palavras do autor, ele diz que a lógica sozinha não move e que a criação do novo exige sonho.  Sonhar não apenas como um exercício intelectual, mas como um passo indispensável para o desenvolvimento, que nos permita entender aonde queremos chegar.

Por estar longe ou pelo cansaço dos argumentos repetidos, acho espaço para pensar em um futuro para além dos resultados do segundo turno e sinto um sopro de esperança.

O Brasil do futuro é certamente menos violento e corrupto. O Brasil do futuro faz o melhor uso de todas as suas potencialidades, dos seus recursos e belezas naturais, do carisma e da espontaneidade do seu povo. Por isso, tem um ótimo ambiente de negócios e a economia cresce. O Brasil do futuro é menos desigual e tem maior representatividade de mulheres e de negros. É um país educado, que cuida do seu patrimônio e valoriza a sua cultura.  É um país que continua alegre e receptivo. O Brasil do futuro é generoso consigo mesmo e com os seus vizinhos. É um país democrático, e certamente o país aonde quero viver.

As discordâncias sobre o presente ou sobre quem é o “menos pior” impedem debater o futuro, em que há mais consenso.  Nessa hora, a distância atrapalha por não permitir conversas construtivas entre pontos de vistas distintos, por se limitar à mensagens escritas e não faladas, por ser virtual e não presencial. Para além da distância física me afasto de amigos e família ao invés de criar terrenos comuns para o debate e me questiono se faria alguma diferença estar perto.

Falar sobre o Brasil do futuro traz o peso do tempo que não chegou. Não chegou mesmo? Sejamos justos, o desenvolvimento não é sempre linear e ainda que tenhamos retrocessos, não há dúvida que os avanços superam, em muito, nossos erros. Reconhecer e valorizar o que deu certo é pedra fundamental para o desenvolvimento. Seja para reproduzirmos, seja para nos orgulharmos.

Falar sobre o Brasil do futuro também traz a esperança do que pode ser. A estabilidade que tanto almejamos não virá de soluções únicas e nem de salvadores, mas de mudanças graduais e lentas.  Por isso, a importância de sermos propositivos e pacientes. O que virá é, acima de tudo, a construção coletiva das nossas ideias e esforços.

 

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