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Mulheres e empoderamento econômico

Humberto Dantas

08 de março de 2021 | 17h26

Autora do texto:

Ana Paula Bertolin é Mestre em Administração com área de concentração em Gestão Estratégica da Informação e do Conhecimento pela PUC/PR e líder MLG – Master em Liderança e Gestão Pública, pelo Centro de Liderança Pública (CLP), atualmente é Assessora de Projetos no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC.

No texto, a autora fala sobre a necessidade de promover um ambiente que incentive o emprendedorismo e o protagonismo feminino como uma estratégia focada no desenvolvimento econômico e na redução das desigualdades. Leia:

No dia da Mulher, recebendo o primeiro glossário publicado no Brasil sobre o primeiro ano de vigência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sobre a Agenda 2030, cujo objetivo é o cumprimento das metas que os 193 Estados-membros das Nações Unidas concordaram, por unanimidade, atingir até 2030, me deparo com o tema tão pertinente ao dia: “Objetivo 5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.

Ao ler os objetivos específicos e metas relacionados ao tema me deparo questionando como, em pleno ano de 2021, ainda precisamos trabalhar com questões relacionadas à direitos iguais a recursos econômicos, igualdade de gêneros e o empoderamento em todos os níveis.

O assunto se torna mais chocante quando as medidas são detalhadas para o combate ao casamento infantil ou precoce, casamentos forçados, exploração sexual e de outros tipos, violência, mutilação, proteção social, saúde, reprodução, trabalho doméstico, tráfico dentre outros absurdos que levam a crer que estamos em outra era!

Há 60 anos, no mês de março, se reúnem em Nova York a Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres (CSW – Commission on the Status of Women), que monitoram e negociam os compromissos internacionais sobre os direitos humanos das mulheres. 60 anos?

A ONU Mulheres cita que “os direitos econômicos e sociais das mulheres representam o conjunto de direitos em que menos se avançou no mundo nas últimas décadas”.

Dados são divulgados diariamente sobre o quanto as mulheres representam para a força econômica. Em recente publicação de março de 2021 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a segunda edição das Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, estes dados nos mostram que dentre as mulheres em idade para trabalhar, a taxa de participação das mesmas na força de trabalho, foi 54,5%.

Mulheres já são em maior número com educação de nível superior completo, porém ainda são minoria entre os professores em instituições de nível superior e representam apenas 13,3% dos alunos nas áreas relacionadas à Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), porém são 88,3% nas áreas relacionados ao Bem-Estar.

São mais instruídas, porém ocupam 37,4% dos cargos gerenciais e recebem 77,7% do rendimento dos homens. Mulheres dedicam quase o dobro do tempo em cuidados e/ou afazeres domésticos, portanto, aceitam também trabalharem em tempo parcial para poderem “dar conta do recado”!

Luzes brandas no fim do túnel surgem como resposta à desigualdade de gênero nos países em geral à crise pós-COVID. A Organização Internacional do Trabalho, a ONU Mulheres e a União Europeia reunidas já apontaram o novo papel das mulheres neste futuro. A pandemia, apesar de apresentar um índice de violência doméstica assustador, indicou que o empoderamento econômico das mulheres será uma das respostas à crise econômica mundial sendo um dos indicadores a força do empreendedorismo feminino.

A Plataforma de Ação de Pequim, documento com objetivos estratégicos em doze áreas prioritárias de preocupação relativas às mulheres, derivado da IV Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher, realizada em Pequim, em setembro de 1995, apresenta uma análise dos obstáculos a superar para que as mulheres possam exercer plenamente seus direitos e alcançar seu desenvolvimento integral como pessoas. Um dos pilares principais traz a questão do empoderamento das mulheres, ou seja, poderem ser tudo aquilo que elas mesmas desejarem!

Em uma das recentes revisões da Plataforma, foi verificado que pouco se avançou dentre as 12 áreas. Para cumprir a agenda proposta ao ODS 5, há necessidade de implementar ações que integrem e proponham políticas transformadoras nos sistemas sociais, políticos e econômicos, que incluam saúde e proteção à mulher além de monitorar os índices e acompanhar esta participação, compromissos esses assumidos pelo Brasil perante a Plataforma.

E como esta autora sempre defende neste espaço e vindo de encontro ao tema, uma das metas de execução dos planos propostos pela ODS 5 já prevê: “Aumentar o uso de tecnologias de base, em particular as tecnologias de informação e comunicação, para promover o empoderamento das mulheres.”

Essa ação se efetiva em acesso a empregos decentes, plenos e produtivos, além de capacitação e da possibilidade de permanecerem competitivas no mercado de trabalho. Educar as mulheres nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática atende demandas de mercado, capacita as mulheres economicamente e promove igualdade em todas as áreas – afirma a ONU.

Vamos lá Brasil! Vamos fazer valer a Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, com a estratégia nacional focada no desenvolvimento econômico e redução das desigualdades. Vamos promover um ambiente regulatório que incentive o emprendedorismo e o protagonismo feminino.

Temos um longo caminho a seguir. Um longo caminho a conquistar.

Que seja um suspiro de esperança a nós mulheres e às nossas meninas.

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