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Mídias digitais na comunicação entre o Estado e o cidadão

Humberto Dantas

08 de dezembro de 2020 | 09h53

Autores do texto:

Tadeu Luciano Seco Saravalli é Advogado, Especialista em Gestão Pública pela UFScar, Líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública, Mestrando em Ciências Sociais pela UNESP (Área de Relações Internacionais e Desenvolvimento), Conciliador pela Escola Paulista da Magistratura de São Paulo (EPM-SP), Membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB-SP e Integrante da organização Advogados Sem Fronteiras (ASF-Brasil). Tem experiência profissional na Administração Pública de Bauru, Birigui e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.

Tiago Contador Lotto é Jornalista e Publicitário com Pós-Graduação em Comunicação Empresarial, Analista em Mídias Digitais e Radialista pelo SENAC-SP. Foi Secretário Municipal de Expediente e Comunicações Administrativas em Birigui-SP, Assessor de Imprensa da Câmara de Birigui, Diretor da TV Câmara Araçatuba-SP, Gestor de Comunicação e Relações Públicas da Central de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos de Bilac-SP. Atualmente é Diretor de Relações Governamentais na Prefeitura de Birigui-SP.

No texto, os autores falam sobre a transformação digital que as prefeituras vem sofrendo desde o início da pandemia. O uso inteligente das mídias digitais pode promover melhor qualidade do serviço público e maior participação social. Para eles,  essa mudança da burocracia interna também é uma alternativa de sobrevivência de gestão. Leia:

 

A pandemia da Covid-19 transformou as relações entre as pessoas, gerando uma série de restrições decorrentes do distanciamento social e da transmissão em massa da doença, que podem afetar de forma letal a saúde física e ocasionar transtornos na saúde mental. Na relação entre o Estado e os cidadãos essa transformação não foi diferente. Contudo, tanto no setor privado quanto no setor público houve a imersão praticamente instantânea do uso da tecnologia para mitigar os efeitos colaterais do novo coronavírus e manter a prestação de vários dos serviços públicos, inclusive na área da comunicação.

Neste aspecto, as mídias digitais estão cumprindo um papel fundamental de transparência e legitimando os princípios da publicidade dos atos da administração e do princípio da eficiência previstos na Constituição Federal de 1988. O próprio Poder Judiciário que possuía entendimento mais conservador quanto ao uso da tecnologia está se destacando pela economicidade em recursos financeiros e eficiência na produção do serviço judiciário. Até o início do mês de novembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo contabilizou a marca de 19,4 milhões de atos processuais produzidos desde o começo da crise desencadeada pela pandemia, despontando em atividades, por meio do home office dos servidores e a realização de audiências virtuais de conciliação, tais quais as realizadas no CEJUSC do Fórum Digital da Comarca de Ouroeste, por exemplo. O interessante é que muitos destes recursos tecnológicos utilizados já existiam. Eles não foram criados em 2020.

Nesse sentido, o que se observa é que a forma de administrar os entes públicos, principalmente as cidades, talvez esteja dando seu salto mais distante desde que estas foram inventadas na antiguidade clássica. Daí porque, os prefeitos e prefeitas eleitos nas eleições deste ano deverão realizar a transformação digital da burocracia interna, que se apresenta com uma alternativa de sobrevivência de gestão, pois, o cenário que se aponta é de escassez de recursos para o próximo mandato. Da mesma maneira, é possível replicar boas práticas tecnológicas também já existentes em um grupo seleto de cidades, que em vários indicadores estão “anos-luz” à frente da maioria dos cinco mil municípios brasileiros.

A partir deste desafio, é admirável quando jovens empreendedores criam mídias digitais que colaboram na comunicação dos anseios dos cidadãos com a prestação dos serviços públicos, como o aplicativo Colab, que é utilizado num grande número de cidades. Esta ferramenta tecnológica foi uma das pioneiras no Brasil com o objetivo de tornar o munícipe um agente ativo no exercício da cidadania ao transmitir de forma direta os problemas simples e complexos ao agente público. A consequência disso é que a aplicação desta tecnologia gera um senso de urgência no administrador para estruturar uma Ouvidoria que, de fato, receba as informações e solucione as questões trazidas, num prazo razoável. Em caso contrário, o gestor público ficará exposto ante a ineficiência.

Não é menos admirável quando a solução da comunicação parte do poder público ao encontro do cidadão, por meio da utilização inteligente das mídias digitais, construídas pelos próprios servidores públicos, que detém o conhecimento tácito dos mecanismos para a realização desta conexão positiva entre as duas partes. É o caso, por exemplo, da “Rádio Prefeitura”, projeto do setor de comunicação de Birigui com a finalidade primordial de transmitir, periodicamente, por gravação de áudio, informações de utilidade pública para os munícipes, como também esclarecer eventuais fake news, via whatsapp. Não é à toa que a iniciativa foi finalista na categoria Administração Pública Direta, no segmento “Campanhas de Utilidade Pública” para o maior evento Public Relation – PR (Relações Públicas) da América Latina, o Prêmio Jatobá 2020, juntamente com o TJSP, TJGO e a SECOM do Governo do Estado de São Paulo, sendo que esta última no dia dois de dezembro sagrou-se vencedora do certame.

Por fim, o uso inteligente das mídias digitais e a transformação tecnológica do setor público é uma realidade para sua própria sobrevivência e melhoria da qualidade, tanto da prestação do serviço público, quanto da participação social nesta conexão com os cidadãos, pois, são os contribuintes que mantém toda a estrutura pública e anseiam pela transparência, publicidade e eficiência. É um caminho sem volta que já faz parte do novo normal.

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