As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Inovar no legislativo é sinônimo de sucesso?

Humberto Dantas

12 de setembro de 2019 | 13h42

Autora do texto:

Elisa Adler é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública – MLG e especialista em Políticas Públicas pela UFRJ.

Neste conteúdo, Elisa fala sobre inovação no legislativo e sua ligação a um mandato de excelência. Confira: 

O legislativo brasileiro preserva de modo geral uma ação bastante arcaica. Os regimentos das casas são estruturados de maneira a confundir quem os conhece pouco e assim preservar o poder nas mãos daqueles que já conhecem as regras do jogo.

Penetrar nesse ambiente não é tarefa fácil. E compreende-lo sem tal inserção fica muito difícil. Assim, cria-se um ciclo vicioso em que quem não o conhece não se insere e quem por sua vez não se insere, tampouco consegue entender de fato a lógica interna.

Neste contexto, diversas organizações da sociedade civil têm criado inovações para as diferentes etapas ligadas à vida dos gabinetes. Isto permite, em certa medida, a aproximação por vias pouco tradicionais de novos indivíduos neste espaço de poder.

O Legisla Brasil desenvolveu uma metodologia de processo seletivo bastante robusta para ajudar gabinetes a capturarem os perfis mais técnicos possíveis para as vagas disponíveis e tem realizado também formações para estes assessores. Já o Mandato Ativo dedica-se à elaboração de planejamento estratégico de mandatos, permitindo que estes aprofundem a ação nos seus eixos prioritários. O Bússola Eleitoral, por sua vez, desenvolveu curso sobre inovação no legislativo, levando assessores a mergulharem no infinito de possibilidades que a atividade parlamentar propicia.

>> Conheça boas práticas no Setor Público

Todas essas instituições buscam com muita dedicação e de modo bastante interessante trazer mais profissionalismo e excelência técnica ao legislativo. Mas a observação dessa nova era de inovações instiga uma série de outras perguntas: basta fazer parcerias com essas instituições para que um mandato seja de fato inovador? Ter um mandato parlamentar técnico é o bastante? Seria o caráter inovador e técnico o que realmente torna um mandato de excelência? E o que exatamente seria um mandato de excelência?

Sem sombra de dúvida, ter parlamentares preocupados em selecionar melhor, em planejar e em aprender sobre inovação é de grande valia. Entretanto, enquanto não existir um parâmetro claro do que é “sucesso” para mandatos legislativos, tenderemos, principalmente com a aproximação das eleições municipais, a ver um sem número de parlamentares correndo atrás de cumprir a cartilha de ações e parcerias inovadoras e se dizendo técnico, porém sem substância legislativa de fato.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.