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Estou tentando, meninas. Nós estamos.

Humberto Dantas

24 de setembro de 2019 | 15h17

Autora do texto:

Laura Angélica Silva é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública – MLG, socióloga, Mestre em Administração Pública e Doutoranda em Administração Pública e Governo. Ela atua como pesquisadora nos Centros de Pesquisa da Fundação João Pinheiro e da Fundação Getúlio Vargas.

Neste conteúdo, Laura faz uma reflexão sobre os últimos acontecimentos no Brasil e no mundo e o nosso olhar para o futuro. Confira: 

Como gestores públicos olhamos para o futuro, mas, hoje precisamos olhar para os últimos dias. A nossa busca por soluções ótimas é constante e ser um burocrata (no melhor sentido da palavra) significa ter ciência de que o país precisa de uma transformação. Não podemos nos cegar, olhando somente adiante se o agora já impacta o que chamamos de “gerações futuras”. Transformar não é escolher a estratégia de conter problemas, apesar de muitos pensarem que assim atuamos. Transformações levam tempo, não ocorrem no curto prazo, mas, nós devemos perseguir soluções que possam reduzir danos que esta sociedade já causa. Nós, burocratas, esperamos que futuras gerações possam usufruir das decisões políticas de agora, mas, uma adolescente sueca e ativista do clima nos inquieta afirmando que não estamos olhando para o futuro. Além disso, uma criança brasileira foi baleada. Duas crianças expondo diferentes problemas, mas ambas são o nosso público alvo. O nosso futuro.
Se estamos em busca da transformação do futuro isso significa que não se deve ter uma visão de fronteira entre a atuação de uma política ou outra. Ambas meninas citadas fazem parte de uma sociedade sistêmica e refletem aquilo que a burocracia ainda está a resolver.
Observando os últimos acontecimentos globais e locais gostaria de registrar que a burocracia busca por soluções e eu sei que, infelizmente, nenhuma palavra que escrevo acolhe as famílias que passam fome, as famílias sem esgotamento sanitário, a família de Ágatha Félix ou as palavras de Greta. As minhas palavras são reativas, mas, seguimos tentando.
Como gestora acolho lutos diários. Lutos pelos que não conseguem um leito no hospital. Lutos pelos que não conseguem moradia, lutos pelos que sofrem acidentes em estradas sem manutenção ou lutos pelos que sofrem com a insegurança. Contudo, registro que eu, Laura Angélica Silva, servidora pública em busca de melhores soluções para a sociedade, quero ampliar as fronteiras e registrar que o país precisa de um espaço como esse para dizer que há pessoas olhando para grupos vulneráreis, para uma sociedade mais justa, bem como olhando para o desenvolvimento do país.
Minhas condolências às famílias brasileiras que sofrem esperando pela transformação. Estou tentando, meninas. Nós estamos.
Estou tentando, Ágatha.

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