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Emoção e aprendizado: qual a relação?

Humberto Dantas

26 de agosto de 2019 | 15h26

Texto de autoria de:

Aline Costa Cavalcante de Rezende, é graduada em matemática, professora na secretaria municipal de educação do Rio de Janeiro, líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública, Especialista em Educação de Jovens e Adultos – UFF, especialista em educação matemática, coordenadora de matrícula e censo escolar na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Nesse conteúdo, Aline dá complemento ao primeiro texto sobre educação socioemocional abordando sua importância e também seus desafios. Confira:

Seguindo as últimas reflexões sobre a educação socioemocional um fato é indiscutível: o desafio atual de promover o desenvolvimento integral do ser humano, sem esquecer de que este é formado por aspectos físicos, biológicos, psíquico, cultural, histórico e social e de que a educação precisa ter o foco na preparação para a vida e na construção de competências que favoreçam seu crescimento pessoal e profissional. Apesar desse conhecimento e de vivermos numa época onde se acumula uma grande diversidade de conhecimento adquirido e socializado, discutimos ainda muito pouco sobre os sentimentos e emoções que envolvem e são necessárias para uma aprendizagem perene.

Em primeiro momento sempre pensamos em aprendizagem focando nas questões objetivas e cognitivas que a envolvem. No entanto, o ser humano carrega em si uma carga de emoções, de paixões. Logo, numa perspectiva cognitiva, as emoções surgem como elementos de cognição, como aparatos mentais presentes na percepção, no pensamento, na atenção, na memória de cada indivíduo. São as emoções que impulsionam o ser humano a fazer acontecer, que o leva a conquistar, a se superar, a se motivar.

Apesar de importante, não é um tema discutido amplamente no espaço escolar. A respeito da importância das emoções no contexto educacional, Santos (2000, p. 22), acredita que: a educação com objetivos exclusivamente cognitivos tem se mostrado insatisfatória, pois, apesar de tantos avanços tecnológicos, da televisão, de computadores e, multimídia já utilizados no processo educacional, as novas gerações têm mostrado crescente falta de competência emocional e social. Na maioria dos casos, o contexto educacional dispõe e se utiliza de recursos materiais para o desenvolvimento cognitivo do estudante; porém, a sociedade nos leva a necessidade de não se abster de outras competências – afetividade, solidariedade, iniciativa, controle emocional, se relacionar em grupo/equipe, da relação consigo e com o mundo e estes aspectos precisam e devem estar presente no espaço escolar. Estamos falando da aprendizagem do aluno, porém esta só ocorre com professores igualmente afetados pelo processo.

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Diante das mudanças do mundo atual e necessidades sociais, a educação também necessita passar por transformações nos processos de ensino para garantir a aprendizagem significativa do aluno, uma aprendizagem de sucesso e atender as necessidades da sociedade.

Segundo estudos, a aprendizagem significativa ocorre quando uma informação nova é adquirida mediante o esforço que se faz em ligar uma informação nova com conceitos já adquiridos, que são para si relevantes e se torna parte do seu conhecimento e se interioriza fazendo com que a memória seja ativada.

Esse processo de ativação da memória e interiorização de um novo conhecimento tem como indutor a carga de emoção, de engajamento que envolve o momento da aprendizagem.

E o que significa emoção?

A palavra emoção tem a sua origem no verbo mover, que significa tudo ou aquilo que nos faz movimentar ou mexer, e isto só ocorre quando nos sentimos motivados ou impulsionados a fazer algo ou tomar alguma atitude.

Com base em estudos de neurociência que trazem para educação uma nova visão de como ocorre à aprendizagem, podemos constatar através de observação de alunos no cotidiano escolar, assim como refletindo sobre nosso processo de aprendizagem, que o ser humano guarda em sua memória de longa duração o que faz sentido para ele, o que consegue estabelecer de ligações com seu contexto histórico, social, emocional, o que teve como gatilho a emoção.

Para que a aprendizagem ocorra de forma eficaz e perene, é necessário que ela desperte no aluno emoção ou significado, pois quanto maior for o interesse e a motivação por determinado assunto ou tema, quanto maior for a paixão que envolve o processo, maior será o prazer em aprender, maior será a absorção e a facilidade na construção deste conhecimento. Da mesma forma que se houver uma carga emocional negativa, esta irá influenciar a aprendizagem provocando problemas de atenção e concentração.

Segundo Pereira (2013), as neurociências vêm procurando explicações que possam aproximar o social do biológico e têm conseguido reafirmar que vivências mais intensas e significativas, no processo de aprender não só transformam, mas criam e recriam conexões cerebrais em qualquer época da vida humana.

O desafio educacional para a geração atual, diante do contexto e necessidade sociais é associarmos conteúdos coerentes e significativos a práticas pedagógicas que propiciem a formação integral do aluno, envolvendo emoções, desejos, curiosidades e afeto.

 

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