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E-gov possibilita maior transparência entre governo e cidadão

Ana Paula Bertolin é Mestre em Administração com área de concentração em Gestão Estratégica da Informação e do Conhecimento pela PUC/PR e líder MLG – Master em Liderança e Gestão Pública, pelo centro de Liderança Pública – CLP, atualmente é Assessora de Projetos no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – IPPUC.

13 de julho de 2020 | 10h23

Com o momento vivido mundialmente, governos necessitam realizar rapidamente uma transição de seu modelo de serviços, de G2G (governo para governo) para G2C (governo para cidadão) implantando o e-gov. Para tal uma mudança de mindset é necessária, onde uma quebra de paradigmas necessita ser realizada transformando a burocracia governamental através da cooperação entre todos os níveis.

O uso de TIC não só reduz o tempo de resposta para a tomada de decisão, mas também torna transparente o uso de informações internas e também para o cliente/cidadão. Níveis de serviço devem ser aplicados para garantir as entregas, considerando prazo, custo e qualidade.

Esta urgência coloca em questão qual o papel da TI dentro do serviço público. Por muito tempo ela foi e talvez ainda seja vista como um setor de suporte para manutenção e aquisição de equipamentos, além do meio para realizar os desejos dos órgãos afins de resolverem seus problemas individualmente, por meio de sistemas que, por vezes isolados, criaram e ainda criam enormes redes de dados e informações paralelas e desconectadas.

Enquanto a TI não for compreendida como essencial e estratégica onde, como na iniciativa privada, exista a figura de um CIO que participe da decisão, tendo uma visão global do caminho em que a instituição vai seguir, olhando não somente para a tecnologia mas também para otimização dos processos organizacionais (corporativos) – o que é elemento chave para uma transformação de cultura e performance baseada em métricas e níveis de serviço – pouco irá se caminhar em direção a uma qualidade satisfatória.

Adicionalmente, a TI tem o privilégio de navegar – normalmente pelo conhecimento dos sistemas, ainda que muitas vezes desconexos – por toda a organização de uma forma completa (end-to-end). Portanto, o CIO municipal ainda deve participar da construção de metas e Plano de Governo de forma não só horizontal, mas também vertical, inserindo reservas dentro do orçamento público para execução dos projetos corporativos onde, historicamente, são definidos valores baixos para investimento em tecnologia.

Os CIOs municipais não devem ser vistos como os principais responsáveis pela construção e fornecimento de tecnologia; devem ser vistos como líderes orientadores dos  negócios com conhecimento que envolve tecnologias e nutrem talentos, colaboração e inovação em toda a organização e seus stakeholders em busca de uma melhor solução para a máquina pública garantindo assim o impacto transformacional que a TI pode exercer na organização.

A figura de um CIO traz uma capacidade de entendimento diferenciado sobre tecnologia e planejamento de sistemas, finanças e orçamento, além de habilidade política e de colaboração entre os envolvidos, habilitando o governo a investir com mais segurança e com visão global em TI com mais precisão adotando soluções de e-gov.
A disposição de uma instituição em conceder esse tipo de influência ao líder de TI é proporcional ao empenho em se obter mudanças reais na forma de gerir a organização.

Idealmente, o CIO deve reportar diretamente ao CEO, ou seja, ao prefeito, pois este tipo de posição auxilia a esclarecer e consolidar seu papel de liderança perante o negócio, garantindo o apoio necessário não somente do CEO Municipal, mas também de toda a equipe estratégica que envolve a governança.

A implementação de projetos de TI requer um gerenciamento robusto de projetos e habilidades de gerenciamento de mudanças, papel importante em um meio onde a cultura vai de encontro à mudanças, ou seja, o CEO municipal e toda a sua equipe sênior envolvida deve garantir ao CIO apoio incondicional como pré-requisito para um programa de transformação de TIC bem sucedido no setor público.

Esta ampla cooperação não significa somente compromisso. Geralmente estas demandas são concorrentes e devem ser alinhadas de forma consensual entre as partes interessadas para que realmente ressignifiquem os processos internos ou serviços oferecidos à população, derivando em priorização de portfólio e gerenciamento de orçamento para alocação de recursos. Nem sempre esse processo torna-se fácil devido ao relacionamento interno entre as pastas, objetivos políticos e as agendas individuais dentro do ambiente público.

Quando o papel do CIO Municipal for reconhecido como um ativo essencial para a definição de um futuro para e-gov municipal, conflitos como esses podem ser resolvidos com mais facilidade, fundamental para os novos tempos.

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