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Desmatamento da Amazônia e o impacto na saúde dos brasileiros

Humberto Dantas

10 de setembro de 2019 | 17h33

Autores do texto:

Karla Santa Cruz Coelho é médica, docente da UFRJ e Líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública -MLG. Ela e Rodrigo Scofield, músico e educador, são os autores desse conteúdo que fala sobre a relação que o desmatamento da Amazônia tem com os costumes alimentares e impactos na saúde dos brasileiros. Confira:

 

Vivemos nesse último mês uma situação suigeneris no nosso país, principalmente no que tange, ao processo histórico da gestão ambiental nacional com  epercussão mundial. O atual presidente do Brasil, em 10 de agosto de 2019, vivenciou um dos momentos mais dramáticos desde sua eleição: o “Dia do Fogo”, o dia em que a floresta amazônica ardeu em chamas sendo consumida por vários focos de incêndios simultâneos seguidos por uma semana.

Segundo dados do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), o número de focos de calor provocados pelas queimadas foi 60% mais alto nesse  início do ano do que nos 3 anos anteriores, assim como dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) demonstram que no período de 1/01/19 a 14/8 desse ano tivemos 32.728 focos de queimadas na floresta. Todos esses dados se agravaram ainda mais na semana do “Dia do fogo”. Se nós nos restringimos a apenas duas regiões do Pára, os dados ficam ainda mais alarmantes, só em Novo Progresso foram 1.170 focos de incêndio, e em Altamira 1.630, segundo dados do INPE. E o pior que esses números já são muito maiores do que nos últimos 4 anos pesquisados, só no estado do Acre foram encontrados 19.000 hectares de cicatrizes de queimadas na floresta. Especula-se que as queimadas na Amazônia não são fenômenos naturais e sim ações praticadas pelo homem, visando usufruir da floresta: 80% pela pecuária,10% pela agricultura e 10% extrativismo madeireiro. Vemos então o modelo econômico de desenvolvimento predatório de destruição dos biomas, em nome de se conseguir a maneira mais fácil, rápida e barata de se abrir novos pastos para se criar gados.

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No Japão, por exemplo, onde se consome muita carne bovina, nem por isso os pastos são criados em áreas de preservação ambiental, lá os donos dos pastos são obrigados a aplicar tecnologias no solo que fazem com que os pastos sobrevivam por 50, 60 anos sem prejuízo na produção e ao meio ambiente. Enquanto aqui no Brasil percebe-se que os pastos têm vida útil de 12 anos em média, isto é, se em 12 anos o pasto já não dá mais pra alimentar os bois, abre-se outro.

É nesse momento que o problema torna-se um caso de política e saúde públicas, portanto, responsabilidade nacional, e uma questão mundial. Primeiramente, é um problema político na medida que desde que foi eleito, o presidente arrefeceu a fiscalização nos focos mais importantes historicamente de queimadas como por exemplo, no sul do Pára em Novo Progresso, onde dispensou o núcleo de fiscais do Ibama e desmobilizou a guarda nacional na base de fiscalização que ficou sem apoio esse ano.

Partindo desse pressuposto, origina-se a questão que trata o tema também como um problema de saúde pública. Por que continuamos na contramão do mundo aumentando o consumo de carnes vermelhas como de boi, porco, cordeiro e bode, entre outras, pela população, se sabemos através de vários estudos os malefícios que o consumo cotidiano desse tipo de alimento traz ao nosso organismo, como câncer e problemas cardíacos, por exemplo? Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), o seu consumo deve ser limitado a 500 gramas de carne cozida por semana. Quanto mais consumo de carne mais aumento de doenças, como o câncer no intestino (cólon e reto), uma vez que em excesso pode trazer efeito tóxico sobre as células. Com isso há mais compra de remédios pelos consumidores, sem falar no aumento de procedimentos médicos e internações.

Podemos concluir, que apesar de todo incidente internacional e o mal estar causado pela queima da floresta, todos nós podemos fazer algo como evitar o consumo excessivo de carne, praticar exercícios físicos e trabalhar em conjunto com agentes de saúde educando a todos sobre os benefícios da ingestão de frutas e verduras, e agir em prol do meio ambiente e do ar puro que oxigena todo o planeta proveniente da floresta que não pode ser extinta jamais.

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