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Candidato, qual sua opinião sobre Govtechs e Civictechs?

Rodolfo Fiori – Líder MLG e Co-fundador da Muove Brasil

17 de agosto de 2018 | 00h02

Hoje (16/08) inicia-se a campanha para as eleições 2018. Elegeremos em Outubro/2018 um novo presidente, senadores, governadores e deputados. Há temas muito importantes a serem discutidos como a situação fiscal do país, recuperação do crescimento econômico, redução de nossas mazelas e desiguladades sociais, reforma do sistema político, dentro outros. A agenda é extensa e preocupante. No entanto, tão preocupante quanto os desafios atuais já presentes nos discursos e programas de nossos candidatos, preocupa também a ausência de discussões relacionadas a um fator transversal à resolução de tudo o que foi citado anteriormente: tecnologia. Poucas e rasas são menções dos nossos candidatos em relação ao poder de transformação que novas tecnologias digitais podem proporcionar aos governos, por exemplo.

O assunto é muito importante. Arrisco a dizer que a introdução de novas tecnologias digitais nas formas que governos operam é a alavanca mais importante que temos atualmente para melhorar a eficiência das nossas políticas públicas. Uma pesquisa recente conduzida pela Deloitte mostrou que 96% das 1.200 lideranças de governos de 70 países constatam que suas atividades têm sido impactadas pelas novas tendências digitais.

Dois termos relativamente novos têm agrupado o que há de novidade quando tratamos de tecnologias para governos, são eles “Govtech” e “Civictech”. Apesar de parecidos, estes termos têm suas diferenças. De maneira resumida, o termo Civictech é utilizado para tecnologias que guardam relação com atividades de informar, engajar e conectar cidadãos com seus governos. Exemplos de categorias de produtos de tecnologias relacionadas a Civictech são abertura e transparência de dados, empoderamento e mobilização cidadã. Na maioria das vezes, o beneficiário direto e imediato das Civictechs é o cidadão, ou seja, o impacto é externo ao governo. Por outro lado, as Govtechs têm foco no funcionamento interno dos governos. Estas tecnologias e organizações buscam a melhoria da eficiência operacional interna das administrações públicas. Soluções de estruturação e análise de dados para embasamento de políticas públicas, gestão de atividades e digitalização de documentos são classificadas como Govtech.

A discussão no Brasil está engatinhando. Para analisar a maturidade digital de governos, precisamos observar sua situação em três principais pilares: pessoas (funcionários públicos), processos e prontidão.

O pilar de pessoas tem relação com a capacidade e preparo de líderes e liderados do poder público de promover a transformação digital. Diversas perguntas devem ser endereçadas: “Estamos formando nossos funcionários públicos com as habilidades para esta transformação?”; “Como atraímos estas novas gerações de talentos em tecnologia?” e; “O ambiente e formato de trabalho no setor público estão adaptados para o novo formato de trabalho que as gerações atuais estão se acostumando?”. Os processos internos devem incentivar e ser receptivos à inovação, especialmente quando tratamos das relações entre o governo e a sociedade. Nossas administrações públicas municipais estão na era dos processos de papel, enquanto nossos jovens estão experimentando a realidade virtual – a distância é muito grande. No pilar de prontidão, a maturidade digital de governos é obtida através do desenvolvimento da capacidade de estruturação de estratégias que capturem e respondam com velocidade as constantes mudanças das tendências digitais. Governos precisam entender rapidamente como as novas tecnologias, que diferente de outros tempos agora surgem a cada segundo, podem ajudá-los a corrigir suas ineficiências. A capacidade e velocidade de adaptação e, consequentemente, investimento de recursos para isto são cruciais neste último pilar.

A crítica situação fiscal do país pode ser parcialmente aliviada pela adoção de novas tecnologias que auxiliem a eficiência de receitas e despesas em todas as esferas de governo. Um exemplo disto é a Muove Brasil, uma Govtech, que fornece uma plataforma que analisa a eficiência municipal através da análise de dados e conduz os servidores públicos na melhoria de eficiências de receitas e despesas. Na mesma pesquisa realizada pela Deloitte, constatou-se que a otimização dos orçamentos públicos foi o principal fator motivador para a adoção de novas tecnologias digitas nas diferentes esferas do governo. Acompanharei atento os próximos 52 dias de campanha para checar se algum de nossos candidatos trará o tema de tecnologias digitais para o debate. Inclusive, deixo a dica de que este será fator decisivo no meu voto.

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