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Brasil!

Humberto Dantas

14 de setembro de 2020 | 16h01

Autor do texto:

Fábio Nery é administrador de empresas formado pela Universidade Gama Filho, do Rio de Janeiro, com pós-graduação em Marketing pela ESPM-RJ; em Direito Empresarial pelo IEMP – Instituto Educacional Manoel Pinheiro, do Piauí; e em Liderança e Gestão Pública pelo CLP – Liderança Pública. Ocupou cargo de gestão em vários grupos empresariais, foi secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Teresina e atualmente é administrador no grupo JET.

No texto, o autor chama a atenção ao problema que as micro e pequenas empresas vem enfrentando no atual contexto brasileiro. Para isso, ele faz alusão à música “Brasil”, de Cazuza. Leia:

Com essa música, Cazuza, George Nero e Nilo Israel criaram um manifesto de insatisfação político e social em 1988. Retomo algumas questões dessa composição para chamar a atenção à problemática das micro e pequenas empresas no contexto atual brasileiro, considerando os dados do Relatório Executivo Empreendedorismo do Brasil 2019- GEM e do Panorama dos Pequenos Negócios 2018 SEBRAE SP. Afinal, Brasil, qual é o teu negócio?

São 53,3 milhões de brasileiros gerando 8 milhões de novos negócios todos os anos. Dessas pessoas, 28,5 milhões sentiram-se motivadas a empreender por perceberem escassez de emprego, isto é, “ganhar a vida porque os empregos são escassos”. Desses dados, 56,5% são homens e 43,5% são mulheres, porém, ao longo do tempo, 40% delas desistem. Tendo idade entre 25 e 44 anos. Sendo as pessoas de nível  universitário os que mais iniciam novos negócios, mas as pessoas de nível médio completo são as que mais permanecem nos negócios. Com uma renda que varia de 2 salários para os empreendedores iniciantes e de 6 salários os já estabelecidos.

Esses negócios estão voltados para atender ao seu vizinho, que é o consumidor final, e seu produto carrega pouca inovação. O micro e pequeno empreendedor brasileiro faz tudo e não tem colaborador, com 39,2 milhões de empreendedores sem registro, pois não enxergam nenhuma vantagem em tirar o CNPJ. Sendo dos
empreendedores metade com sua vida útil chegando só ao terceiro ano, “quando chega!”. Por falta de planejamento, gestão e conduta adequada para o negócio. Esse empreendimento é fruto de seus sonhos para ter seu próprio negócio e poder se sentir respeitado. São persistentes e criativos e com um mercado externo e
muitas oportunidades internas a explorar.

Brasil! O nome do teu sócio? Eles são os micros e pequenos empreendedores que, apesar de pouco visíveis às políticas públicas, contribuem para a economia como um todo. Só em São Paulo a participação desse empreendedor com registro, representa 98% dos empreendimentos formais, 50% dos empregos com carteira assinada, 39% da folha de salários e mais de 27% do PIB.

Brasil! Mostra a tua cara. Falar de câmbio enquanto estão em marcha ré, de juros enquanto estão com os agiotas e de inflação enquanto estão desinflando. Procurar uma solução macro sem olhar para o micro impossibilita que o país saía desse atraso econômico, que é a sua cara.

Porém, acreditar que simplificando a tributação, revisando a legislação, estabelecendo um pacto federativo entre seus entes para o apoio ao empreendedorismo, fortalecendo e integrando os diferentes ecossistemas de inovação, incluindo no ensino fundamental e médio a educação financeira e empreendedora, implementando apoio
para pesquisa em inovação. Contudo, fortalecendo os micros e pequenos empreendedores mudaremos sua cara.

Brasil! Confia em mim!

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