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Avaliação externa: um desafio e um caminho para a gestão escolar

Humberto Dantas

17 de outubro de 2019 | 14h21

Texto de autoria de:

Aline Costa Cavalcante de Rezende – Graduada em Matemática, Professora na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública, Especialista em Educação de Jovens e Adultos – UFF, Especialista em Educação Matemática, Coordenadora de Matrícula e Censo Escolar na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

A líder MLG tem autoria desse conteúdo que fala sobre a avaliação externa e formas de repensar a organização e gestão escolar. Confira:

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP criou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB, tendo como objetivo ser um índice que representa a qualidade do ensino nacional. O índice é composto a partir dos dados referentes ao fluxo escolar dos alunos (taxa de aprovação e reprovação) – censo escolar – e do desempenho nas avaliações externas implementadas (nota padronizada da Prova Brasil).

Apesar das discussões e polêmicas em torno dos resultados do Ideb que a cada edição ressurge de forma mais imperiosa no âmbito educacional, este se torna um balizador que contribui para a análise sobre a função social da escola que é garantir o ensino e a aprendizagem para todos os seus alunos. Esse instrumento de planejamento estratégico deve servir para melhor qualificação de ações pedagógicas e processos visando a melhoria da aprendizagem e para formação integral dos alunos.

Diante das demandas atuais cercadas de mudanças sociais cabe à escola repensar sua forma de organização e gestão, sua maneira de planejar o tempo e o espaço de aprendizagem, seus objetivos, bem como quaisquer fatores que venham a influenciar a aprendizagem.

O gestor escolar nesse contexto tem papel fundamental, pois ele é o responsável pela execução das políticas educacionais do sistema. Por estar ocupando uma posição de liderança seu papel exerce influência significativa nos sujeitos e ações na escola.

Exercer, de fato, uma liderança, e especificamente uma liderança adaptativa requer que este gestor tenha pleno conhecimento de sua posição, das realidades que vivencia, da sua equipe escolar, a clareza de onde quer chegar, e principalmente do objetivo fim que é qualidade da aprendizagem dos alunos. Para isso, precisará manter a equipe coesa, motivada, não ser centralizador, ser capaz de enxergar no outro potencialidades, perceber as zonas de conflito, ter clareza dos problemas que envolvem as ações pedagógicas direta e indiretamente, entender a cultura estabelecida no ambiente escolar.

Apesar de muitas vezes os resultados das avaliações de larga escala focarem em resultados quantitativos, sem uma percepção de todos os fatores que envolvem o processo ensino aprendizagem, é um poderoso instrumento para a gestão. Através dos resultados, o gestor consegue perceber o caminho já percorrido e traçar com a equipe escolar novos caminhos a seguir. É a oportunidade de se debruçar e interpretar os dados.

A avaliação de larga escala não pode se resumir a simples divulgação de um resultado ou de rankeamento de escolas em suas instâncias políticas ou de uma busca pela melhoria dos índices sem efetiva análise e interpretação dos resultados.  Esta ação é imprescindível para o levantamento das causas que levaram ao resultado e a partir das causas e da diagnose ser possível estabelecer um novo caminhar em busca de políticas públicas para melhoria da qualidade de ensino.

Independente desse movimento maior, o gestor escolar no cerne da escola deve realizar a mesma análise e interpretação como ação estratégica para (re)pensar o seu fazer pedagógico.

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Como sugestão inicie analisando amplamente o que compõe o IDEB. Através dos dados é possível analisar a taxa de aprovação das turmas e consequentemente olhar mais profundamente para cada aluno dos anos escolares que merecem atenção, além da nota em cada disciplina, associada à proficiência. Pode-se verificar que habilidades e competências precisam ser desenvolvidas e as que não foram totalmente construídas. Outros dados podem ser estudados tais como: tempo de conclusão (a defasagem idade/ano escolar), o percentual de abandono, além de aspectos específicos da unidade escolar que incluem um resumo do seu retrato propiciando uma visão macro, tanto administrativa como estrutural, de recursos pedagógicos, do quadro de profissionais e etc.

A avaliação trará muito mais que a constatação do acesso de todos ao ensino, mas principalmente a permanência, a equidade e o sucesso escolar de todos os alunos. Esse movimento interno da escola olhando para si mesmo, pode resultar em descobrir as possíveis deficiências no processo de ensino e aprendizagem, mas isso não significa o fracasso da escola. É na identificação do problema que é possível mapear novos caminhos de forma planejada.

Acoplando a esse aparato o conhecimento de seus alunos, da comunidade escolar, da cultura presente no cotidiano, estabelecendo metas claras e objetivas  (aonde se quer chegar), identificando as zonas de conflito, enxergando outras potencialidades, é que o gestor juntamente com os integrantes da escola implementarão um planejamento que propiciará a elevação da qualidade de ensino e consequentemente a melhoria de seus índices nas avaliações externas.

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