As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

As medidas econômicas do Brasil no combate ao coronavírus

Humberto Dantas

26 de março de 2020 | 13h11

Autor do texto:

Eduardo Araujo é Consultor do Tesouro Estadual do Espírito Santo e Conselheiro no Conselho Federal de Economia. É economista com mestrado na área, foi presidente do Conselho de Economia (2015-16) e é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública, a pós-graduação do CLP – Centro de Liderança Pública. Neste texto, Eduardo fala sobre o plano econômico apresentado pelo governo brasileiro para driblar a crise da nova pandemia, e a dificuldade em ver bons resultados. Leia para entender mais:

A resposta de muitos países para minimizar impactos econômicos do coronavírus tem sido de políticas fiscais agressivas, com medidas de garantia de renda mínima a trabalhadores, oferta de crédito barato e postergação de prazo para pagamento de tributos.

No caso brasileiro, está demorando agir. O recurso federal investido até agora soma 2% do PIB, enquanto que na Europa atinge 17%. As propostas apresentadas tem sido insuficientes em face do cenário de recessão, cresce a preocupação com falência, desempregos e redução das condições de bem-estar.

É relevante citar as três principais medidas apresentadas até aqui. A primeira delas foi a ajuda de R$200 a trabalhadores informais por período de 3 meses. O valor oferecido é menos da metade do custo da cesta básica (R$500).

A segundo refere-se a empréstimos de capital de giro do BNDES. Apesar das taxas de juros e prazos de carência serem atrativos, não houve nenhuma simplificação de procedimentos. O que significa que micro e pequenas empresas devem continuar com dificuldades para acessar esse crédito.

O terceiro anuncio foi de mudanças nas relações trabalhistas. O governo voltou atrás com relação principal medida de suspensão temporária de contratos de trabalho. Está demorando a definir qual será o critério de compensação financeira para trabalhadores que tiverem queda salarial.

Até mesmo governos liberais têm defendido programas de renda mínima, que além de proteção social oferecem estímulos à demanda no pós-crise. O Reino Unido, por exemplo, oferece cobertura de até 80% do salário de quem está impedido de trabalhar. Os EUA propuseram transferência de US$ 1200 (aproximadamente R$ 6100) para maioria de cidadãos.

O pronunciamento do presidente determinando a reabertura do comércio criou mais insegurança ao ambiente de negócios, pois a declaração contradiz orientações do próprio Ministério da Saúde. Sem contar o conflito federativo, já que governadores feito recomendações distintas, da Organização Mundial de Saúde.

Enquanto isso, o país continua parado aguardando um plano econômico que restabeleça a confiança dos brasileiros. É urgente avançar em medidas de renda para menos favorecidos e para salvar micro e pequenas empresas da falência.

Tendências: