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A importância do apoio ao empreendedorismo na retomada econômica

Flávia Lancha é formada em Letras, com pós-graduação em recursos humanos pela Universidade de Franca e especialização em Administração Rural pela FGV e é líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública - MLG. Ela já foi diretora comercial e financeira da empresa Labareda Agropecuária por 28 anos. Ela também é fundadora da ICOL Instituto de Capacitação e Orientação Livre que é do terceiro setor.

11 de março de 2021 | 11h01

“A micro e pequena empresa é a teia que sustenta qualquer país” – Carlos Melles, presidente do Sebrae

Há pouco mais de um ano, a economia do Brasil vem sendo assolada pelos efeitos nefastos da pandemia provocada pelo coronavírus que obrigou governos a restringirem a circulação de pessoas e o funcionamento de empresas. Em 2020, o Brasil fechou o ano com queda de 4,1% no PIB (Produto Interno Bruto), a maior desde que a série de medições foi iniciada em 1996, o que representou um prejuízo de mais de R$ 303 bilhões para economia do país.

Dado recente divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) mostra que o desemprego nunca esteve tão alto. Hoje são 13,4 milhões de pessoas desocupadas. Menos da metade da população em idade para trabalhar está no mercado.

Diante desse cenário, um número cada vez maior de brasileiros tem buscado no empreendedorismo uma alternativa de sustento. Segundo relatório divulgado pelo Global Entrepreneurship Monitor – GEM, quase 90% dos empresários que abriram seu próprio negócio no ano passado o fizeram por conta da escassez de emprego.

Com isso, a decisão de abrir uma empresa que deveria ser tomada com base em estudos e pesquisas de mercado, com orientação e preparo, acaba influenciada apenas pela necessidade, o que faz surgir um empreendedorismo menos qualificado. Os governos precisam estar atentos e implementar políticas públicas que possam apoiar e orientar aqueles que, mesmo diante das dificuldades, têm a coragem de empreender.

Atualmente, no Brasil, são 18 milhões de micro e pequenas empresas, que respondem por mais de 30% da riqueza produzida no país e empregam 55% de todos os trabalhadores com carteira assinada. Impensável falar em retomada econômica sem medidas que estejam voltadas ao micro e pequeno negócio.

A implementação de programas que incentivem o empreendedorismo deve ser prioridade para nossos administradores públicos. Programas estes que envolvam não apenas a busca pela formalização desses negócios mas também sirvam de respaldo para a estruturação e o crescimento.

Para isso é preciso, por exemplo, que se promova a desburocratização do sistema brasileiro. Com a era digital, a abertura de empresas deveria levar entre 2 e 21 dias, mas na prática há relatos de empresários que demoram meses para obter toda a documentação.

Oferecer apoio e orientação para que os micro e pequenos empresários possam tomar decisões mais acertadas e que melhorem a gestão de seus negócios é outra forma que o Estado tem para estimular o desenvolvimento. Neste sentido, instituições como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio à Empresa), que já funcionam em todo o país de maneira exemplar, podem ser importantes parceiras por meio de convênios.

Um exemplo que tem apresentado bons resultados é o programa Empreenda Rápido, criado pelo Sebrae em parceria com o governo do Estado de São Paulo. O programa oferece cursos de capacitação voltados especificamente para quem quer ou está começando um negócio próprio. Além do conteúdo técnico, os participantes recebem também orientação sobre gestão, custos e vendas.

Facilitar o acesso ao crédito para o micro e pequeno empresário é fundamental. Durante o último ano, o número de linhas de crédito disponíveis para esse segmento saltou de 30 tipos para 180. O problema é que, apesar desse aumento, a maior parte das linhas ainda é desconhecida pelos empreendedores que não entendem seus mecanismos de funcionamento nem sabem onde devem ir para solicitá-las.

Outra dificuldade de quem possui um pequeno negócio quando o assunto é crédito é conseguir cumprir todas as exigências feitas pelas instituições financeiras para efetivar a liberação dos recursos. Muitos não têm garantias para o empréstimo.

Os governos podem ajudar criando serviços que ajudem o empreendedor a compreender melhor como funcionam as linhas de credito e deem a ele orientação sobre qual linha seria mais adequada para seus objetivos.

Por fim, ainda é possível para Estados e Município a implantação de programas que aliviem a carga tributária para quem está abrindo um pequeno negócio, criando formas de oferecer descontos ou isenção de taxas e impostos. Na atual crise que enfrentamos, adotar medidas como as já citadas e ter um olhar especial para as micro e pequenas empresas deixou de ser apenas uma opção e se tornou prioridade para aqueles que querem encontrar o caminho mais rápido para a retomada econômica.

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