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A importância da educação socioemocional nas escolas

Humberto Dantas

05 de julho de 2019 | 10h27

Aline Costa Cavalcante de Rezende é professora I de matemática na Secretaria Municipal de Educação do RJ, líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública, especialista em educação de jovens e adultos e educação matemática, e coordenadora de matrícula e censo escolar na Secretaria Municipal de Educação do RJ. Neste conteúdo,  Aline fala sobre a educação socioemocional e seus benefícios para os alunos e, consequentemente, para sociedade. Confira:

Para fechar as nossas reflexões que iniciaram na publicação anterior, trago novas perspectivas a respeito de desenvolvimento socioemocional.

James Heckman, desde que publicou seus estudos e ganhou o Nobel de economia em 2000, tem se dedicado a estudos na área de educação, onde se tornou conhecido por sua tese onde decidiu avaliar muito além de aspectos cognitivos na trajetória escolar. Avaliando outras características observou que na vida adulta é que se percebiam as verdadeiras diferenças de um ensino voltado para uma educação que desenvolvia habilidades a que chamou não-cognitivas. Os alunos que receberam esse tipo de educação apresentaram menores taxas de abandono escolar, minimizou envolvimento em situações de violência, de gravidez na adolescência e como adultos apresentaram melhores salários e desempenho. Posteriormente sua tese ganhou força com os estudos de neurociência. Heckman com sua tese nos traz a luz para a importância da educação socioemocional e seus benefícios para os alunos e, consequentemente, para sociedade.

A educação socioemocional desenvolvida na escola em seu currículo de forma sistemática e com planejamento intencional desenvolvem competências que enquanto indivíduos humanos, sociais trazem melhoria para grandes problemas sociais e educacionais. Mundialmente a educação socioemocional traz o olhar de uma educação integral para o aluno e ganha força e evidências através dos resultados.

Já no Brasil o desenvolvimento socioemocional se torna legítimo e obrigatório no currículo a partir da Base Nacional Comum Curricular– BNCC . Não é possível falar de educação, atualmente, sem associar um propósito maior de formação integral do estudante a fim de construir um país melhor, mais sustentável, mais produtivo, com uma sociedade mais humana e consciente. E esse pensamento não é uma falácia, de fato, vivemos um tempo de urgência para uma educação mais profícua, pois esse é comprovadamente o caminho para o crescimento do país, seja em termos econômicos quanto na busca pela diminuição da desigualdade social e da equidade.

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Muitas pesquisas mostram que através do socioemocional o estudante constrói, de fato, competências. São competências fundamentais para a prática relacional cotidiana num mundo tão cheio de complexidades. O estudante será capaz de desenvolver empatia, minimizando as situações de bullying e violência no cotidiano escolar; espírito de liderança, trabalhar em equipe, vivenciar situações de equidade e perceber a sua importância; melhorando as relações interpessoais, possibilitando, por exemplo, a diminuição do abandono escolar. Estabelecer relações que o levem a lidar com problemas e criar estratégias de
resolução, além de criatividade, dinamismo, visão de todo e saber lidar com as emoções. Todos esses pontos levam o estudante a uma dinâmica escolar inter relacional, de interdependência positiva fundamentais na formação do adulto e profissional de amanhã. No mundo atual são aspectos que o profissional necessita no seu espaço de trabalho e determina um diferencial a mais do que os que só possuem competências cognitivas.

Podemos concluir que em tempos que nos debruçamos por uma educação de melhor qualidade, a construção das competências cognitivas não são mais importantes que o desenvolvimento da criatividade, da capacidade de resolução de problemas, do pensamento crítico. A conjunção do cognitivo com o socioemocional, a partir de políticas públicas de continuidade e que conjuguem formação de professores e gestores, foco metodológico e curricular com planejamento claro e com intencionalidade, trarão esse novo olhar sobre os alunos. Esse me parece o caminho para amenizar problemas, atualmente graves, e que muito preocupam os educadores como: a infrequência e abandono escolar, distorção idade/ano escolar e a violência e que mitigados possibilitarão alcançar o propósito da educação que buscamos, da sociedade que queremos.

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