A fome e a sustentabilidade ambiental

Leonardo Madeira Martins é Gestor Ambiental. Doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Especialista em Liderança e Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública (CLP). Professor Universitário (UNINOVAFAPI). Gestor Ambiental do Programa de Requalificação Urbana e Ambiental Lagoas do Norte (PMT/BIRD).

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A palavra fome nunca saiu do noticiário brasileiro, no entanto tem sido cada vez mais recorrente em decorrência do agravamento da crise econômica nesse cenário complexo de pandemia da Covid-19. Essa situação é reflexo da desigualdade social, sempre evidente no Brasil, que foi potencializada pelo aumento da inflação, do desemprego e maior dificuldade de reinserção no mercado de trabalho das pessoas menos escolarizadas, não só pela ausência de oportunidades, mas também pela antecipação de um mundo cada vez mais tecnológico e conectado.

A recente matéria jornalística¹ veiculada pela imprensa nacional em que mostra famílias de Cuiabá formando filas em açougue para recebimento de doação de restos da desossa de bovinos ainda causa grande impacto. No entanto, em situação mais grave se encontram as famílias que dependem dos despejos de resíduos em aterros e lixões espalhados pelo país. Elas parecem continuar invisíveis para o restante da sociedade e nos leva a crer que o poema “O Bicho”², escrito em 1947 por Manuel Bandeira, ainda denuncia uma realidade atual.

Contraditoriamente, o Brasil tem uma das maiores áreas agricultáveis do planeta e uma produção animal superior à população de humanos. Como exemplo, conforme a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2019 elaborada pelo IBGE³, o rebanho de bovinos atingiu quase 215 milhões de cabeças, enquanto a população de humanos foi estimada em 211 milhões para o mesmo período. Inegavelmente, o país tem uma situação muito privilegiada comparada a outras nações, podendo inclusive migrar para uma alimentação que não seja tão dependente de carne.

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O cenário brasileiro mostra que o país mesmo sofrendo com graves problemas socioeconômicos tem condições naturais de suprir as necessidades de toda a sua população de forma sustentável. A quantidade de pequenas e médias propriedades de terra que antropizaram o ambiente e não deram a produtividade devida é enorme. O impacto ambiental adverso cumulativo e sinérgico do uso inadequado do solo é muito significativo e por vezes tão pouco mensurado. Neste sentido, é de fundamental importância que o país vislumbre um melhor aproveitamento de áreas já exploradas ao invés de buscar ampliar a sua “fronteira agrícola”. É necessário políticas públicas que tornem o campo viável para as famílias, do contrário o êxodo rural continuará cumprindo o seu papel de inflar os bolsões de pobreza nas cidades.

À luz do bem-sucedido Programa Estratégia Saúde da Família que garantiu a chegada de profissionais de saúde pelos rincões do país, o Governo poderia criar o programa de difusão de Agentes de Defesa Ambiental em prol da produtividade econômica e sustentabilidade ambiental no meio rural brasileiro que visasse levar profissionais das ciências ambientais e agrárias a fim de prestar assistência técnica gratuita ao pequeno e médio agricultor. Sem dúvida, a distribuição de renda é importante, no entanto mais ainda é garantir a independência do sustento de cada família.

Por fim, o conceito de ESG (Environmental, Social e Governance), amplamente difundido entre empresas, precisa ser incorporado rapidamente pelos Governos em suas políticas públicas. É possível produzir, saciar a fome da população, garantir uma nutrição adequada e conservar o ambiente para as futuras gerações. Não há outro caminho que vise a solução dos graves problemas aqui destacados que não tenham como base o tripé contido no conceito supracitado. O problema da fome tem sua solução e ela está na sustentabilidade ambiental.

¹https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/07/26/retrato-da-fome-caldo-com-ossos-alimenta-familia-por-tres-dias-em-cuiaba.ghtml

²https://www.culturagenial.com/poema-o-bicho-manuel-bandeira/

³https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/9107-producao-da-pecuaria-municipal.html?=&t=destaques

 

 

 

 

A palavra fome nunca saiu do noticiário brasileiro, no entanto tem sido cada vez mais recorrente em decorrência do agravamento da crise econômica nesse cenário complexo de pandemia da Covid-19. Essa situação é reflexo da desigualdade social, sempre evidente no Brasil, que foi potencializada pelo aumento da inflação, do desemprego e maior dificuldade de reinserção no mercado de trabalho das pessoas menos escolarizadas, não só pela ausência de oportunidades, mas também pela antecipação de um mundo cada vez mais tecnológico e conectado.

A recente matéria jornalística¹ veiculada pela imprensa nacional em que mostra famílias de Cuiabá formando filas em açougue para recebimento de doação de restos da desossa de bovinos ainda causa grande impacto. No entanto, em situação mais grave se encontram as famílias que dependem dos despejos de resíduos em aterros e lixões espalhados pelo país. Elas parecem continuar invisíveis para o restante da sociedade e nos leva a crer que o poema “O Bicho”², escrito em 1947 por Manuel Bandeira, ainda denuncia uma realidade atual.

Contraditoriamente, o Brasil tem uma das maiores áreas agricultáveis do planeta e uma produção animal superior à população de humanos. Como exemplo, conforme a Pesquisa da Pecuária Municipal de 2019 elaborada pelo IBGE³, o rebanho de bovinos atingiu quase 215 milhões de cabeças, enquanto a população de humanos foi estimada em 211 milhões para o mesmo período. Inegavelmente, o país tem uma situação muito privilegiada comparada a outras nações, podendo inclusive migrar para uma alimentação que não seja tão dependente de carne.

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O cenário brasileiro mostra que o país mesmo sofrendo com graves problemas socioeconômicos tem condições naturais de suprir as necessidades de toda a sua população de forma sustentável. A quantidade de pequenas e médias propriedades de terra que antropizaram o ambiente e não deram a produtividade devida é enorme. O impacto ambiental adverso cumulativo e sinérgico do uso inadequado do solo é muito significativo e por vezes tão pouco mensurado. Neste sentido, é de fundamental importância que o país vislumbre um melhor aproveitamento de áreas já exploradas ao invés de buscar ampliar a sua “fronteira agrícola”. É necessário políticas públicas que tornem o campo viável para as famílias, do contrário o êxodo rural continuará cumprindo o seu papel de inflar os bolsões de pobreza nas cidades.

À luz do bem-sucedido Programa Estratégia Saúde da Família que garantiu a chegada de profissionais de saúde pelos rincões do país, o Governo poderia criar o programa de difusão de Agentes de Defesa Ambiental em prol da produtividade econômica e sustentabilidade ambiental no meio rural brasileiro que visasse levar profissionais das ciências ambientais e agrárias a fim de prestar assistência técnica gratuita ao pequeno e médio agricultor. Sem dúvida, a distribuição de renda é importante, no entanto mais ainda é garantir a independência do sustento de cada família.

Por fim, o conceito de ESG (Environmental, Social e Governance), amplamente difundido entre empresas, precisa ser incorporado rapidamente pelos Governos em suas políticas públicas. É possível produzir, saciar a fome da população, garantir uma nutrição adequada e conservar o ambiente para as futuras gerações. Não há outro caminho que vise a solução dos graves problemas aqui destacados que não tenham como base o tripé contido no conceito supracitado. O problema da fome tem sua solução e ela está na sustentabilidade ambiental.

¹https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/07/26/retrato-da-fome-caldo-com-ossos-alimenta-familia-por-tres-dias-em-cuiaba.ghtml

²https://www.culturagenial.com/poema-o-bicho-manuel-bandeira/

³https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/agricultura-e-pecuaria/9107-producao-da-pecuaria-municipal.html?=&t=destaques

 

 

 

 

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