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20 anos do Pacto Global da ONU: O princípio da vida sustentável para o novo mundo digital

Humberto Dantas

13 de maio de 2020 | 14h49

Autor do texto:

Tadeu Luciano Seco Saravalli é advogado, especialista em Gestão Pública pela UFScar, líder Master em Liderança e Gestão Pública, mestrando em Ciências Sociais pela UNESP, membro da Comissão Especial de Direito Digital da OAB-SP. Tem experiência profissional na Administração Pública de Bauru, Birigui e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.

No texto, o líder fala sobre o Pacto Global, a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, e a próxima Cúpula dos Líderes do Pacto Global, que acontecerá em junho. Pensando no cenário pós-pandemia, ele indica que o novo modelo de mundo digital pode viabilizar a sustentabilidade da vida das pessoas e do planeta. Entenda:

Nos dias 15 e 16 do próximo mês de junho será realizada a Cúpula de Líderes do vigésimo aniversário do Pacto Global da ONU. Em razão da pandemia da Covid-19, a CEO e Diretora Executiva do Pacto Global, Sra. Lise Kingo, informa que o evento global será online e que incluirá e envolverá um maior número de interessados em todos os fusos horários do mundo.

Em 2000, a ONU, ao analisar o panorama da crescente relevância sobre os efeitos da globalização na falta de interação entre área econômica e social, além de estabelecer os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que deveriam ser adotados pelos Estados-membros das Nações Unidas e alcançados até 2015, também alinhou o setor privado na prática da Responsabilidade Social Empresarial – RSE, na busca de uma economia mais sustentável e inclusiva. O debate destas questões resultou no “The United Nations Global Compact” ou Pacto Global das Nações Unidas, anunciado pelo ex-secretário geral das Nações Unidas, Sr. Kofi Annan, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na reunião de 31 de janeiro de 1999 e oficialmente lançado em 26 de julho de 2000 no Escritório da ONU em Nova Iorque.

O Pacto Global atua como uma rede neural cooperativa visando tornar o processo de globalização mais inclusivo e, consequentemente, menos frágil, e promover os principais mecanismos de envolvimento da liderança, do diálogo político, de aprendizagem, de projetos e de parcerias. O objetivo é encorajar o alinhamento das políticas e práticas empresariais com valores aplicáveis internacionalmente, além de mobilizar as empresas na implantação dos valores globais dos 10 princípios do Pacto Global (Direitos Humanos, Direito do Trabalho, Meio Ambiente e Combate à Corrupção).

Posteriormente, em 25 de setembro 2015, a Assembléia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque aprovou a Resolução A/RE/70/1 contendo os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas, que integram a Agenda 2030. Outra iniciativa relevante no contexto de desenvolvimento sustentável referente à mudança climática foi o Acordo de Paris, aprovado na COP 21, em 12 de dezembro de 2015. Os ODS, as metas globais e o desafio da contenção do aquecimento global foram incorporados pelo Pacto Global da ONU.

Após 20 anos, o Pacto Global é hoje a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, com mais de 13 mil membros em quase 80 redes locais, que abrangem 160 países. Ao longo desse período, o Pacto Global se estendeu para os governos, por meio do Programa Cidades (117 cidades ou regiões signatárias nos 5 continentes), e também incluiu o PRME – Principles for Responsible Management Education, iniciativa voltada para a academia (623 instituições signatárias em 80 países).

Pois bem, é importante considerar o teor do Relatório Anual do Progresso do Pacto Global de 2019 (UN Global Compact Progress Report 2019), que revela que a grande maioria das empresas estão movimentando esforços para integrar os 10 princípios nos seus negócios e 81% dos participantes estão tomando medidas para avançar nas metas globais. Contudo, os referidos avanços ocorrem de forma não uniforme ao redor do mundo e, lamentavelmente, esse processo desigual, nem de perto reflete a escala e o ritmo necessário para alcançar qualquer um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris até 2030.

Nesse sentido, o caos da pandemia do coronavírus que vivemos hoje, não só atinge a saúde individual das pessoas, mas também a estrutura base da sociedade mundial, apontando para a ampliação das desigualdades naqueles que mais forem impactados. De outro lado, estudos e evidências demonstram uma disrupção voltada para uma elevada transformação digital no modo de viver das pessoas.

Disso tudo, é importante olhar para trás e observar que até 2015, os ODM não foram implementados. Por conseguinte, estabeleceu-se os ODS e sem pandemia os dados já revelavam fortes dificuldades para sua implementação até 2030. Agora, olhando para o futuro, no cenário pós-pandemia, uma proposição necessária para a Cúpula dos Líderes do Pacto Global deste ano seria a análise da viabilidade de constituição de um propósito global efetivo para que a tecnologia tenha como princípio a sustentabilidade da vida das pessoas e do planeta, neste novo modelo de mundo digital que se apresenta, a fim de que os compromissos globais sejam concretizados para não serem recriados a cada 15 anos ou até uma nova pandemia.

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