Novo deve decidir hoje sobre volta de Amoêdo; 12 dos 19 diretórios estaduais se opõem
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Novo deve decidir hoje sobre volta de Amoêdo; 12 dos 19 diretórios estaduais se opõem

José Fucs

27 de setembro de 2021 | 18h08

Em meio ao “racha” que atinge o partido, o Novo deve começar a moldar o seu futuro nesta segunda-feira, 27.  Na reunião semanal do Diretório Nacional, marcada para às 19h, uma questão decisiva deve dominar a pauta: a volta de João Amoêdo, fundador e ex-candidato à Presidência em 2018, ao comando partidário.

O possível retorno de Amoêdo à presidência do Novo foi proposto por ele mesmo, em carta enviada aos seis integrantes do Diretório Nacional, com cópia para os diretórios estaduais, no sábado, 25, praticamente obrigando o órgão a se posicionar sobre o assunto o quanto antes. Nesta segunda, às 17h54, ele anunciou também nas redes sociais a sua disposição de reassumir a liderança do partido.

O fundador do Novo, João Amoêdo, que se colocou “à disposição” para voltar à presidência do partido

“Infelizmente, a polarização, as narrativas que não condizem com a verdade, e a perda de identidade, que contaminam e enfraquecem inúmeras instituições, estão hoje também presentes no Novo”, disse Amoêdo, que renunciou à presidência do partido em março de 2020, em sua carta.

“Precisamos de uma instituição que represente a esperança de mudança, na qual a energia seja direcionada para o crescimento da marca e estejamos todos reunidos e trabalhando com um único objetivo: melhorar a vida do brasileiro. É com este propósito que me coloco à disposição para retornar, de imediato, ao Diretório Nacional para cumprir o mandato para o qual fomos eleitos de forma unânime pela Convenção Nacional e assim trabalhar, junto com vocês e com todos os integrantes do Novo, na consolidação partidária e no pleito de 2022.”

A proposta de Amoêdo, que está sem cargo na direção do partido desde a renúncia, surpreendeu a dirigentes e filiados e aprofundou a divisão em torno dos rumos da agremiação, já profundamente abalada em decorrência das posições políticas de seu fundador nos últimos tempos, em especial o apoio ao impeachment do presidente Jair Bolsonaro e a adoção de uma postura de oposição ao governo.

Embora seja apoiado por uma parte dos dirigentes, filiados e apoiadores do Novo, Amoêdo está longe de representar hoje uma unanimidade. Acusado por seus desafetos de agir como “dono” do partido e de não ouvir seus mandatários e até de hostilizá-los nas redes, principalmente integrantes da bancada federal e o governador de Minas, Romeu Zema, ele perdeu muito do apoio que conquistou na eleição de 2018.

A decisão sobre o seu retorno à presidência do Novo, portanto, será um teste decisivo para que se possa avaliar melhor as perspectivas do partido. De acordo com projeções que circulam nos bastidores, a votação deverá terminar empatada em 3 a 3, tornando imprevisível no momento dizer qual será o resultado final do processo.

Há grande expectativa com o voto do atual presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, alçado ao posto após a renúncia de Amoêdo, que vem procurando seguir o seu próprio caminho e recentemente anunciou ter convidado o cientista político Luiz Felipe d’Avila para se filiar à legenda e ser o seu candidato à Presidência da República em 2022.

A julgar pela posição dos Diretórios Estaduais, que não participam da decisão, mas representam a base do partido, a tendência é a votação ser mesmo muito acirrada. Segundo apurou o Estadão, pelo menos 12 diretórios estaduais, dos 19 que o partido tem em atividade pelo país, manifestaram-se por escrito contra a volta de Amoêdo à presidência: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Ceará, Piauí e Maranhão.  O diretório do Rio Grande do Sul também se manifestou sobre a questão, sugerindo também ser contra o seu retorno, mas há dúvidas em relação à efetiva posição do órgão.

“O João Amoêdo renunciou, não pediu licença do cargo. É um absurdo ele querer voltar agora”, afirmou um representante do partido que preferiu se manter na sombra. “Já imaginou se isso tivesse acontecido com o (ex-presidente) Jânio Quadros, se ele tivesse pedido ao Congresso para voltar depois de ter renunciado e a instituição tivesse aceitado?  Seria um escândalo.”

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