A delação dos irmãos Batista, a euforia do PT e o efeito bumerangue
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A delação dos irmãos Batista, a euforia do PT e o efeito bumerangue

Com celebração das denúncias, os petistas e seus aliados legitimaram tudo o que criticavam até o dia anterior

José Fucs

18 de maio de 2017 | 15h56

Manifestantes fazem protesto contra Temer, na frente do Palácio do Planalto, em Brasília     FOTO: DIDA SAMPAIO / ESTADÃO

Logo que a delação dos irmãos Batista veio a público, na noite desta quarta-feira, os petistas não puderam conter a euforia e se lançaram a comemorar.  Milicianos do PT e de seus aliados foram para as ruas gritar “fora Temer” e pedir o impeachment do presidente.  Buzinaços pipocaram pelo País afora. Nas redes sociais, não foi diferente.  Nem Lula conseguiu se segurar e publicou fotos do juiz Sergio Moro com Temer e Aécio, apagadas posteriormente,  no Twitter.

De repente, o impeachment deixou de ser golpe para os petistas e virou uma arma legítima, garantida pela Constituição, para destituir o presidente da República. As gravações de conversas do presidente, consideradas ilegais até ontem, passaram a ser consideradas como um recurso válido de investigação. As delações premiadas, tidas como ferramenta para livrar acusados inescrupulosos da prisão, tornaram-se subitamente confiáveis, um canal apropriado para obter informações sobre malfeitos com o dinheiro público. A “mídia golpista”, apedrejada pelos milicianos nas redes sociais, transformou-se em fonte respeitável e admirada.  Excepcionalmente, as notícias transmitidas pela TV Globo ganharam a aura de verdade absoluta.

Mas o que seria uma glória de Lula e do PT não passa, na verdade, de uma vitória de pirro. A farra dos companheiros atinge, no fundo, eles mesmos, numa espécie de “efeito bumerangue”.  Ao celebrar a divulgação das acusações contra Temer e Aécio, o Grande Timoneiro petista e sua tropa de choque legitimaram, ainda que indiretamente, tudo o que criticavam até o dia anterior. Também legitimaram, mesmo sem querer, o processo de impeachment contra Dilma – tão legítimo quanto o impeachment que os petistas agora pretendem impor a Temer.

Mais que tudo, a divulgação de trechos das delações dos irmãos Batista sepulta de vez a vitimização de Lula e do PT e a narrativa de que a Lava Jato e outras investigações eram apenas “perseguição” política. A ideia de que Temer teria assumido o cargo para acabar com a Lava Jato também foi para o vinagre. A ação impetrada pelos advogados de Lula na ONU, alegando perseguição política do petista, que já era despropositada, agora virou piada de mau gosto. Só para refrescar a memória dos “esquecidos”, convém ainda lembrar que a delação dos Batista tem a ver com o propinoduto bilionário do BNDES nos governos do PT.

Ao contrário do que costuma acontecer quando um petista está envolvido em denúncias e delações, nenhum aliado de Aécio e Temer foi visto por aí dizendo que as acusações contra eles foram “vazamento seletivo” ou fruto de “perseguição”. Ninguém também foi visto também chamando Aécio ou Temer de “guerreiro do povo brasileiro”.  O fã clube de corruptos — uma inovação mundial do PT — continua a ser monopólio do partido.

Os ativistas do PT repetem sem parar o argumento de Lula de que não há provas contra ele, o PT e outros líderes da sigla. Puro nonsense, como dizem os americanos. É só lembrar da conversa gravada entre Lula e Dilma, antes do impeachment, e do e-mail “secreto” criado por ela para obstruir a Justiça. Nos processos que correm na Justiça contra eles, multiplicam-se as provas, como mostrou recentemente reportagem de capa da revista Época, embora nem todas tenham sido divulgadas até agora. Isso, porém, seus seguidores não querem enxergar. Preferem acreditar que a Justiça, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e todos os “ex-amigos” e “ex-colaboradores” de Lula e do PT são “mentirosos” e só Lula, o partido e os “blogueiros amigos” falam a verdade.

Diante disso, peço licença para reproduzir aqui um post publicado pelo jornalista Adhemar Altieri no Facebook.  Ele reproduziu a publicação de Flavio Cavalcanti Jr., escrita originalmente por Mavi Paiva. O post revela, de forma emblemática, a inconsistência da narrativa de Lula, Dilma e o PT, diante da infinidade de evidências acumuladas até agora pela Lava Jato e por investigações de outros escândalos de corrupção. Veja a narrativa construída por Lula, pelo PT e por outros partidos e organizações de esquerda, na qual eles querem que a gente, como os seguidores de uma seita, acredite:

Delcídio Amaral “mentiu”.
Paulo Roberto Costa “mentiu”.
Alberto Youssef “mentiu”.
Pedro Barusco “mentiu”.
Augusto Mendonça “mentiu”.
Eduardo Leite “mentiu”.
Dalton Avancini “mentiu”.
Shinko Nakandakari “mentiu”
Júlio Camargo “mentiu”.
A Camargo Corrêa “mentiu”.
Nestor Cerveró mentiu.
Ricardo Pessoa “mentiu”.
Léo Pinheiro “mentiu”.
Marcelo Odebrecht “mentiu”.
Os 77 funcionários da Odebrecht “mentiram”
Mônica Moura “mentiu”.
João Santana também “mentiu”.
O Ministério Público Federal está “mentindo”
A Polícia Federal está “mentindo”.
O Tribunal de Justiça do Paraná está “mentindo”.
O CARF está “mentindo”.
A Procuradoria Geral da República está “mentindo”.
O Estadão, O Globo e a Folha de S. Paulo estão “mentindo”.
As revistas Veja, Época e Isto É estão “mentindo”.
A Globo, Band e outros canais de TV estão “mentindo”.
Pallocci provavelmente também vai “mentir”.
Só quem fala a verdade são Lula, Dilma, o PT e os sites e “blogueiros amigos”.
Então, tá!

Felizmente, os brasileiros estão se dando conta de que tal narrativa é inverossímil. Apesar de Lula ter atingido cerca de 30% nas pesquisas para as eleições de 2018, sua rejeição varia de 45% a 65%, conforme o levantamento, e sua vitória parece improvável nessas circunstâncias.