A delação de Palocci e o golpe na narrativa de Lula
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A delação de Palocci e o golpe na narrativa de Lula

Se o acordo do petista com o Ministério Público se confirmar, a estratégia de vitimização do ex-presidente e do PT deverá desmoronar de vez

José Fucs

06 de junho de 2017 | 18h44

Foto: Roberto Castro/AE

A narrativa de Lula e do PT em relação às delações da Lava Jato está prestes a sofrer um golpe definitivo.

Caso se confirme a delação do ex-ministro Antonio Palocci, que já estaria em processo final de negociação com o Ministério Público Federal em Curitiba, será a primeira vez que um tubarão do PT reconhecerá publicamente as falcatruas cometidas por Lula e pelo partido desde o mensalão, que veio à tona em 2005, 12 anos atrás.

Até hoje, todos os petistas condenados pela Justiça negaram-se a admitir qualquer envolvimento do PT nos escândalos bilionários de corrupção revelados nos últimos anos. Mas, para tentar salvar a sua pele, Palocci poderá, enfim, quebrar o voto de silêncio que predominou até agora com o objetivo de preservar Lula e o PT.

Se a delação de Palocci se tornar mesmo realidade, reconfirmando as denúncias já feitas por dezenas de testemunhas e cúmplices dos malfeitos de Lula e de seus aliados, ela será um divisor de águas para o ex-presidente e o partido da estrela vermelha.

Depois da delação de Palocci, que conhece as entranhas do PT e as manobras de Lula como poucos companheiros, não vai dar mais para sustentar o discurso segundo o qual os delatores são todos “mentirosos” e só o líder petista fala a verdade.

Vai ficar difícil também argumentar que Lula mal conhecia Palocci, o Italiano nas planilhas de propina da Odebrecht, e que ele “não sabia de nada” do que Palocci fazia por aí em seu nome e em nome do partido.

Será complicado insistir na tecla surrada de que os petistas condenados pela Justiça, como o ex-ministro José Dirceu, são “guerreiros do povo brasileiro” que tombaram não pelos crimes que cometeram, mas pela perseguição política implacável que teriam sofrido por parte “dazelite”, inconformadas com a ascensão do PT ao poder.

Se a delação de Palocci for reforçada pela de outro tubarão petista, como o ex-ministro Guido Mantega, que teria desempenhado o mesmo papel de achacador-mor do PT no governo Dilma, aí, então, é que não deverá sobrar pedra sobre pedra mesmo. Mas, na verdade, só a delação de Palocci já será um tsunami para Lula e o PT. A rigor, só ela já bastará para deixar ambos na lona.

A única vantagem que uma eventual delação de Mantega terá, além de funcionar como uma espécie de “pá de cal” em Lula e no PT, é que ela provavelmente destruirá o mito no qual só as milícias petistas ainda acreditam, de que Dilma era uma “santa”, que nada sabia sobre a bandalheira que rolava solta na Petrobras e em outras estatais e que não teve qualquer responsabilidade na compra criminosa da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Mesmo levando em conta que a delação de Palocci deverá implicar grandes bancos e empresas no propinoduto petista, talvez o principal estrago que ela provocará será nas milícias petistas, que ainda encontram forças para divulgar a narrativa de Lula e do partido nas trincheiras das redes sociais, apesar de eles se recusarem a fazer a autocrítica de seus crimes.