Voos cancelados. Começou a confusão nos aeroportos

Menos de uma semana após o acordo entre companhias aéreas e governo para evitar transtornos, passageiros voltaram a enfrentar problemas. Desde sábado, 295 decolagens foram suspensas, principalmente em São Paulo e Rio

Marcelo Moreira

30 de novembro de 2010 | 18h31

Carolina Dall’Olio

Não levou nem uma semana para que a promessa feita por companhias aéreas e governo fosse quebrada. Depois de empresas e autoridades do setor assegurarem, em 22 de novembro, que os aeroportos funcionariam normalmente nos períodos de pico e que neste fim de ano não haveria caos aéreo como em férias passadas, ao menos 295 voos já foram cancelados desde sábado, informa a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).

Os passageiros mais afetados foram os que tentaram embarcar nos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, Santos Dumont, no Rio, e o de Guarulhos. De acordo com balanço da Infraero, da meia-noite às 20 horas de ontem, 196 voos haviam sido cancelados (ou 9,1% do total). Num dia normal, o porcentual de cancelamentos não passa de 5%.

A Gol respondeu por 45 cancelamentos, menos de 10% do total de voos operados pela companhia no dia, o que é considerado uma média aceitável pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Mas a TAM foi o destaque negativo do dia. Foram 127 voos cancelados, ou 17,5 %, bem acima dos 10% aceitáveis pela Anac.

A companhia, que desde sábado vem submetendo seus clientes a transtornos, teve a venda de passagens domésticas suspensa ontem até dia 3 de dezembro, por determinação da Anac. A medida foi tomada para que mais passageiros não sejam prejudicados.

A Anac iniciou uma auditoria na empresa, que deve durar uma semana. Até a conclusão dos trabalhos, ficam suspensos todos os pedidos de acréscimos de voos na malha da TAM. Caso a situação não se normalize até amanhã, a Anac promete aplicar novas sanções à companhia.

Apesar de a Anac ter emitido um comunicado no começo da tarde, por volta de 16h ainda era possível comprar bilhetes para esses dias. A agência informou que esse intervalo de tempo foi necessário para que a companhia adequasse seu sistema. Depois desse horário, quem acessou o site da TAM se deparou com aviso de bilhetes esgotados.

Além dos cancelamentos, o número de atrasos acima de 30 minutos também foi superior à média: foram 210 até as 17h. TAM e Gol também foram as companhias que tiveram mais atrasos, com 17,2% e 9,2% de seus voos saindo depois do previsto.

 Justificativas

Em 22 de novembro, a TAM informava que haviam sido criados planos de contingência para vários cenários – tudo para evitar o caos. “Fizemos simulações para evitar danos ao sistema como um todo se chover no dia 23 (de dezembro) e o aeroporto de Congonhas ficar fechado, por exemplo”, disse Ruy Amparo, vice-presidente da operações da TAM.

Mas ontem a empresa usou justamente a chuva como explicação para atrasos e cancelamentos. “O motivo (dos cancelamentos) foram as fortes chuvas que atingiram a região Sudeste entre a noite de quinta-feira (25) e a madrugada de sexta-feira (26), interrompendo as operações em vários aeroportos (…). Assim, parte significativa da tripulação da TAM foi deslocada para outros aeroportos, o que teve impacto na escala de trabalho para o último fim de semana e o dia de hoje (ontem)”, explicou a empresa, em nota.

Fontes do setor, no entanto, afirmam que os transtornos foram causados pela recusa de tripulantes em assumir voos. Na quinta-feira, a TAM teria distribuído a funcionários escalas para o restante de novembro que suprimiriam folgas. Na tentativa de contornar a situação, a empresa teria decidido atrasar ou cancelar voos de “baixa densidade” – em que a taxa de ocupação é pequena.

 O Sindicato Nacional dos Aeronautas descartou que os problemas da TAM tenham relação com a campanha salarial da categoria, que tem data base em dezembro.

 A TAM, por sua vez, informa que conta com 8.350 tripulantes, “um efetivo suficiente para atender suas operações”, e “vem realizando contratações constantemente”. Em nota, esclarece que a prioridade da companhia é operar em segurança e com respeito à Lei do Aeronauta, com seus limites de jornada, horas mensais e folgas.

A Anac estima que, atualmente, a taxa média de ocupação dos voos do País seja de 70%. No mês de dezembro, pico do ano, o índice pode chegar a 95%.

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