Você sabe o que é acidente de consumo?

Marcelo Moreira

18 de dezembro de 2008 | 00h43

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

Depois de preparar e beber uma vitamina, fui lavar o copo do liquidificador e notei que faltavam duas lâminas do aparelho. Sem saber se as tinha engolido ou não, corri para o hospital”.

O fato relatado pelo filósofo e estudante Sérgio Eduardo Nardi é o que se pode chamar de acidente de consumo – quando um produto ou serviço causa danos à saúde ou segurança dos consumidores, mesmo que utilizado corretamente.

Alguns exemplos comuns são a queda de cabelo, após utilização de cosmético, ou peças pequenas de brinquedos engolidas por crianças. Na maioria das vezes, o acidente acontece por defeitos dos produtos. Foi o que aconteceu com Nardi, que acabou engolindo duas lâminas que se soltaram do liquidificador.

“Tive de fazer uma endoscopia para remover as lâminas que já estavam no duodeno (tubo que liga o estômago ao intestino)”, lembra. Após o susto, ele reclamou com a fabricante do aparelho. “Eles me indenizaram pelas minhas despesas médicas e enviaram uma série de produtos da marca”, conta.

Mas não é preciso ser algo grave para ser um acidente de consumo. O engenheiro Antonio Carlos Meyer ficou com o rosto arranhado após utilizar uma lâmina de barbear novinha. “O barbeador parecia arrancar a pele, fazendo pequenos arranhões e tirando um pouco de sangue.”

Já o jornalista Joannes Wiegerinck ficou ferido por causa de fogos de artifício. “Acendi a bombinha, mas ela não estourou. Depois de cinco minutos, fui desarmá-la e ela estourou próximo ao meu rosto. Arranhei a córnea do olho.”

Embora sejam mais freqüentes do que se imagina, não existem números específicos sobre este tipo de acidente no Brasil. Mas já estão tramitando (nos níveis nacional, estadual e municipal) projetos de lei para criar um cadastro de acidentes de consumo.

Na cidade de São Paulo, uma interessante proposta é a do vereador Netinho (PSDB). “Funcionaria a partir da mesma base do cadastro que registra os casos de violência doméstica nos hospitais. Como o sistema já existe, só faltaria inserir esses novos dados”, explica.

Por enquanto, o único banco de dados sobre acidentes de consumo é o registro das denúncias que o próprio consumidor faz no site do Inmetro.

De janeiro a outubro deste ano, foram relatados cerca de 300 relatos, a maioria causados por produtos como escadas domésticas(fraturas), secadores de cabelo(queimaduras), alimentos “recheados” com peças metálicas, fogos de artifício e embalagens cortantes e alimentos contaminados que provocaram intoxicações alimentares.

O QUE FAZER?

  • A vítima deve sempre procurar um médico e levar o rótulo do
    produto ao hospital

  • Se prestar primeiros socorros, siga as orientações do fabricante

  • Denuncie o fato ao Procon (151) e ao Inmetro (0800-285-1818)

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