Vendas da TIM podem ser suspensas

Marcelo Moreira

13 de julho de 2012 | 16h23

do Jornal da Tarde

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reforçou ontem que, se for necessário, o governo suspenderá as vendas de novos planos de telefonia móvel da operadora TIM, por causa do alto volume de reclamações dos usuários.

“Podemos (suspender as vendas), por que não? Faremos isso se ela não resolver o problema”, disse o ministro. A próxima ação, segundo Bernardo, é dar um prazo para a empresa adotar medidas para reduzir número de reclamações. “Não somos radicais e não queremos tomar uma medida duríssima. Mas se tiver de fazer, vai ser feito. Não posso simplesmente fechar os olhos.”

De acordo com o ministro, o número de reclamações contra a operadora que chega ao ministério das Comunicações é “muito, muito grande”. Ele disse que os problemas não estão generalizados por todo o País, mas que a insatisfação dos clientes está concentrada em seis ou sete Estados. “Em alguns casos, o próprio Poder Judiciário já tomou medidas.”

Bernardo acrescentou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também tem feito o seu trabalho. “Eu acho que a TIM tem de resolver o problema. Nós não queremos prejudicar a empresa. Queremos que o serviço seja expandido, que seja barato e, se vender, tem que entregar aquilo que vendeu. É essa discussão.”

Na quarta-feira, o ministro ameçou a TIM com uma possível suspensão de venda de novos planos de telefonia móvel, caso a operadora não acelere os investimentos em suas redes para melhorar a qualidade do serviço em algumas regiões do País.

“Ou a TIM investe e melhora o serviço, ou vamos proibir a venda de novos planos. Vamos ter de assinar um termo de compromisso com a companhia, na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)”, afirmou o ministro, após ser questionado sobre a insatisfação dos clientes das empresas de telefonia do País na ocasião.

Por meio de nota, a TIM alegou desconhecer a possibilidade de restrição na comercialização de seus serviços, bem como os fundamentos da eventual medida.

De acordo com a nota, a TIM informou que continua investindo cerca de R$ 3 bilhões ao ano, nos últimos quatro anos, sendo quase a totalidade direcionada à infraestrutura, e acima da média do mercado no segmento móvel.

A companhia afirmou também que vem cumprindo e segue rigorosamente as orientações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em matéria de qualidade, que é assunto de análise contínua da agência com as operadoras.

“Não obstante, a TIM está desenvolvendo um conjunto de projetos de infraestrutura para seguir suportando o seu crescimento e capturando as oportunidades que o mercado brasileiro oferece”, disse a empresa em comunicado.

No mercado financeiro

As ações da companhia despencavam mais de 7% por volta de 12h30 na Bolsa de Valores de São Paulo. Ao final do pregão as ações fecharam em queda de 7,46%, a R$ 9,80. Foi o maior recuo diário desde 8 de agosto de 2011, quando o tombo foi de 8,54%.

 

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