Uma batalha de mais de dez anos contra bancos por conta de fraudes

Marcelo Moreira

04 de maio de 2009 | 20h56

SAULO LUZ – JORNAL DA TARDE

Até mesmo quem nunca foi assaltado ou teve os seus documentos extraviados pode ter seus dados roubados por outra pessoa. O produtor cultural Pablo Ossipoff, de 55 anos, por exemplo, nunca perdeu nenhum de seus documentos, mas golpistas abriram 17 contas fantasmas em seu nome, realizando movimentações durante quatro anos.

“Não sei como conseguiram o meu RG e o meu CPF. Acredito que alguém que trabalhe em algum banco ou alguma empresa (onde em algum momento comprei algo) tenha copiado meus documentos. Só pode ser isso”, diz.

Quando ele percebeu o que tinha acontecido, em 1999, já eram mais de 135 protestos indevidos em seu nome, todos realizados pelo mesmo banco. “Na época, o prejuízo causado pelos golpistas foi calculado em R$ 1.700.000. Eu consegui ‘limpar’ o protestos, mas o banco foi colocando outros e, hoje, restam quatro ou cinco protestos”, conta ele, que a dez anos vem enfrentando problemas.


Pablo Ossipoff chegou a ter 135 protestos indevidos em seu nome
(FOTO: JOSÉ LUÍS DA CONCEIÇÃO/AE)

“Desde então, não consigo abrir conta em banco, empréstimos e nem comprar nada no crédito. Cheguei a ser despejado e tudo isso me causou até problemas pessoais. O mundo caiu e está sendo muito difícil retomar a vida normal. Ainda estou pagando injustamente um preço por algo que não tive culpa”, desabafa ele que agora está processando o banco.

“Quero ser indenizado pelos prejuízos morais e materiais que sofri. A ação está na segunda instância. Se perder, vou até a última instância”, finaliza.