Uma aventura perigosa: abrir embalagens

Marcelo Moreira

09 de setembro de 2011 | 07h13

Saulo Luz

Embalagens de sardinha enlatada, vidros de azeitonas e de palmitos em conserva costumam ser quase impossíveis de abrir. Não bastasse esse inconveniente, ainda são responsáveis por 8% dos acidentes de consumos registrados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).

No ranking do órgão, as embalagens ocupam o 4º lugar dentre os maiores motivos de acidentes de consumo – perdem para produtos infantis, eletrodomésticos e alimentos. Além disso, 36% dos acidentes de consumo com embalagens geram afastamento do trabalho e atendimento médico.

Entre os acidentes relatados, os mais comuns são cortes superficiais e profundos. O problema é tão grave que o Inmetro já estuda a possibilidade de desenvolver um regulamento só para certificar embalagens.

Algumas embalagens são tão difíceis de manusear que o consumidor acaba recorrendo a talheres, tesouras e até os dentes para abrir o produto – aumentando o risco de acidentes.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em maio deste ano testou 20 tipos de embalagens e sete foram classificadas como difíceis e outras sete como razoavelmente difíceis de abrir.

Apesar de não existir uma norma geral de segurança para embalagens, o Código de Defesa do Consumidor prevê que os produtos não pode oferecer risco ao consumidor e que deve trazer todas informações necessárias para o seu uso. “Ou seja, a própria embalagem também deve informar o jeito certo para abri-la.

Na hora da compra, é importante verificar se a embalagem vem com essas instruções e o consumidor pode optar pelos produtos que levam essa informação”, diz Adriana Cristina Pereira, assistente jurídica do Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (Ipem-SP).

No caso do consumidor se machucar ao abrir a embalagem, a recomendação é relatar o caso ao SAC da empresa. Depois, deve registrar o caso no sistema de monitoramento de acidentes de consumo do Inmetro (www.inmetro.gov.br/consumidor/acidente_consumo.asp).

“Os órgãos de defesa do consumidor e a própria empresa só conseguem agir se o consumidor relatar o que acontece. Muita gente se machuca com embalagem e deixar para lá (não relatando o caso), pensando que não é nada demais”, diz Adriana. Segundo ela, é importante levar o caso adiante para que a empresa corrija os erros na concepção da embalagem. “Se o produto oferece risco potencial de acidente, a empresa pode até ser obrigada a fazer recall”, finaliza Adriana.

 

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