Um dia no parque custa até R$ 353

Marcelo Moreira

11 de outubro de 2008 | 00h25

MARCELO MOREIRA – JORNAL DA TARDE

Um passeio divertido em parque de diversões de grande porte no Estado de São Paulo pode custar a uma família de quatro pessoas até R$ 353,20. É o que apontou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em cinco dos principais parques de diversões e temáticos – Hopi Hari, Playcenter, Wet’n Wild, Mundo da Xuxa e Parque da Mônica.

O objetivo do levantamento, além de avaliar as condições dos estabelecimentos, é alertar os pais às vésperas do Dia da Criança: o gasto de um dia de passeio pode chegar a 85% do valor do salário mínimo – hoje em R$ 415,00. Em nenhum dos parques analisados um dia de passeio custa menos de 40% do salário mínimo.

“Os preços praticados nesses parques acaba por tornar quase inviável a diversão de uma família de classe média. Imagine então em relação a uma família de baixa renda”, diz Daniela Trettel, do Idec. “Além disso, constatamos que os preços cobrados são muito altos pelo serviço que os parques oferecem, que é deficiente em relação ao atendimento nas filas e nas opções de alimentação.”

Outro ponto abordado por Daniela é a questão ética. “O Hopi Hari e o Playcenter oferecem ‘passes’ para quem não quiser ficar na fila. Ou seja, cobra-se R$ 15,00 para ‘furar’. Consideramos isso uma deformação ética.”

O Hopi Hari é o parque que mais custa ao bolso do visitante. A pesquisa constatou que o tipo de família escolhido gastaria R$ 353,20, ou 85% do salário mínimo nacional (R$ 415).

Em seguida vem o Wet’n Wild: R$ 244,60 (pelos mesmos itens, mais a locação de um armário pequeno considerado como gasto extra), ou o equivalente a 59% do salário mínimo.

O mais barato – mas também um dos que apresenta menos opções de brinquedos – é o Parque da Mônica, em que o cálculo chega a R$ 165,60, ou 40% do salário mínimo.

Dos cinco parques contatados pelo JT, apenas o Parque da Mônica se manifestou. “Mesmo não concordando com algumas conclusões, ficamos felizes de participar da pesquisa”, diz Raquel Felício, gerente de marketing. “Todos os parques estão se esforçando para melhorar em relação às opções de alimentação saudável e o Idec reconheceu nosso mérito na coleta seletiva de lixo. Discordamos quando se fala que nossos preços são altos pelo que oferecemos. Nossos custos são bem altos.”

Em nota, o Sindepat (Sindicato Nacional de Parques e Atrações Turísticas) diz que os “Os empreendimentos praticam políticas de preços definidas por critérios próprios a suas realidades de negócios. Além da aquisição em bilheteria, todos oferecem a possibilidade de desconto na compra de ingressos antecipados, excursões organizadas, escolas, preços promocionais etc, o que permite às pessoas planejar seu dia de diversão.”

Informa ainda que “as filas ocorrem em função da atratividade da diversão e dependem da freqüência de público e da disponibilidade de brinquedos nos empreendimentos. Esse fato ocorre em qualquer parque do mundo, como Disney, Universal, Bush Garden ou outro de renome internacional. Em relação aos passes-livres, vale ressaltar que se trata de um serviço diferenciado para quem quer comodidade”.

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