Temperos prontos reprovados

A praticidade dos temperos industrializados custa caro para a saúde. Nenhuma das 19 principais variedades do produto vendidas no País tem o consumo recomendado pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) em razão da alta concentração de sódio

Marcelo Moreira

17 Julho 2010 | 08h10

Felipe Oda

A praticidade dos temperos industrializados custa caro para a saúde. Nenhuma das 19 principais variedades do produto vendidas no País tem o consumo recomendado pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) em razão da alta concentração de sódio. Foram investigados itens em pó, pasta e tablete.

Entre as amostras analisadas, três delas continham – em uma porção pequena, equivalente a uma colher de chá ou tablete – 70% da quantidade de sódio indicada para um dia inteiro.

Os campeões do sódio, de acordo com a Pro Teste, são os temperos à base de alho e sal, vendidos sob a forma de pasta, em potes. O primeiro da lista, aliás, traz a inscrição ‘sabor natural’ na embalagem.

Com a ingestão dos temperos, garante a Proteste, o risco de passar do limite em relação ao sódio aumenta – um perigo sobretudo para hipertensos. “O consumidor ultrapassará a quantidade recomendada porque, além dos temperos, irá ingerir outros alimentos com sódio ao longo do dia”, diz a nutricionista da Pro Teste, Manuela Dias.

 O sódio em excesso é apontado pelos médicos como o principal vilão da hipertensão – e, portanto, participa do desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Elas afetam 308 mil pessoas no País, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

“Metade poderia ser evitada com medidas preventivas, como o respeito ao limite do consumo de sódio por dia”, diz o cardiologista e coordenador de ações sociais da SBC, Carlos Alberto Machado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha o consumo diário máximo de 2 g de sódio. Algumas pessoas devem ter atenção redobrada. “Cardiopatas, hipertensos, pacientes com problemas renais, neurológicos ou que usem medicamentos antidepressivos estão no grupo que corre mais risco com o excesso  de sódio”, diz o cardiologista Martino Martinelli Filho, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas.

Os especialistas explicam que o sódio controla o funcionamento elétrico das células e é responsável pelos estímulos cerebrais, entre outras funções. “Não podemos criminalizar o sódio. É um nutriente absolutamente importante, que deve ter exageros evitados”, observa o nutrólogo Andrea Bottoni, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para evitar excessos, os médicos aconselham a substituição dos temperos prontos por ingredientes naturais. “Ervas para dar o aroma à comida, cebola e alho para dar gosto”, indica Bottoni.

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