Tem dívidas? Cuidados para não passar do limite

A inadimplência tem despertado opiniões divergentes no mercado. Enquanto para o governo a expectativa é de estabilidade nos próximos meses, para os analistas a alta do juro e a expansão do crédito para as classes C e D tornam o cenário mais preocupante e alertam: o calote no crédito deve aumentar

Marcelo Moreira

07 Julho 2010 | 05h24

Yolanda Fordelone – Economia & Negócios – Estadão.com

A inadimplência tem despertado opiniões divergentes no mercado. Enquanto para o governo a expectativa é de estabilidade nos próximos meses, para os analistas a alta do juro e a expansão do crédito para as classes C e D tornam o cenário mais preocupante e alertam: o calote no crédito deve aumentar.

Antes de chegar a esta situação extrema, porém, o devedor tem como enxergar os sinais de alerta de que o risco de não pagamento está alto.

“Quando há um caso de doença na família, de morte ou desemprego, não tem o que fazer. São imprevistos que realmente aumentam a chance de inadimplência”, diz o professor de finanças do Insper Ricardo Rocha. “Mas há alguns sinais como cobrir o saldo negativo da conta corrente com o cheque especial.”

 Não só utilizar o cheque especial como recorrer a qualquer outro empréstimo para pagar uma dívida existente deve ser um alerta. “A maior parte da inadimplência vem de dívidas do cartão de crédito e financeiras”, diz o consultor Samuel Marques.

Isso porque, juntamente com os cheques especiais, essas modalidades são as opções de crédito mais caras de se pagar. O juro do cartão ode crédito é de 10,69% ao mês, o do empréstimo em financeiras de 9,93% e o de cheque especial de 7,43%, segundo a última pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

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Outro sinal amarelo é o devedor ter contas em diversos bancos para conseguir aumentar seu poder de compra. “Ainda mais se os bancos começam a recusar ampliar o limite de crédito. As instituições sabem qual é a sua capacidade de pagamento. Se não estão concedendo mais empréstimos é porque você está ultrapassando”, explica Marques.

“Vender ativos como imóveis ou recorrer à ajuda de parentes também é mau sinal”, aponta o professor Rocha. O consultor Marques dá duas dicas de cálculo que podem ser feitos: caso as despesas financeiras com o pagamento do empréstimo sejam superiores a 50% da renda ou a dívida ultrapasse cinco vezes a renda o calote pode estar próximo. Quando a dívida é tamanha que se torna maior do que o valor do bem financiado também pode haver inadimplência.

“Quanto aos gastos, o risco de inadimplência é maior se o empréstimo está sendo feito para pagar as despesas comuns do dia-a-dia ou de alimentação”, lembra o consultor. Isso porque o dinheiro não está sendo direcionado para atividades ou investimentos que irão gerar algum retorno para, no futuro, o devedor saldar seu compromisso.

Um último sinal relaciona-se mais ao comportamento. “Se a pessoa dorme mal, fica ansiosa ou há um desgaste familiar é porque a situação pode ser crítica”, aponta Rocha.

 

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