Taxa de bancos tem queda de até 25%

Marcelo Moreira

19 de agosto de 2009 | 18h29

ELENI TRINDADE – JORNAL DA TARDE

As taxas de juros para empréstimos pessoais caíram até 25% desde o início da crise. É o que mostra a pesquisa mensal de juros bancários do Procon de São Paulo.

O levantamento também aponta que houve redução de até 10% nos juros do cheque especial no mesmo período – agosto do ano passado em comparação com agosto deste ano. Entre as principais razões está a redução da taxa básica de juros (Selic).

“Os juros estão mais acessíveis do que em agosto do ano passado. No cheque especial a taxa média era de 8,97% e agora é de 8,79% e no empréstimo pessoal, que era de 5,69%, agora é de 5,27%”, afirma Cristina Martinussi, supervisora de Estudos e Pesquisas do Procon-SP. “Essa queda é resultado da evolução do mercado financeiro e da queda da Selic, que reflete nas taxas bancárias.”

Segundo a pesquisa, a queda vem ocorrendo há oito meses consecutivos, mas as taxas ainda são altíssimas. Para se ter uma ideia, a Selic está em 8,75% ao ano, enquanto o juro do empréstimo pessoal está em 85,21% ao ano, e o do cheque especial está em 174,74% ao ano.

“A queda da taxa Selic faz com que os bancos deixem de comprar títulos públicos e passem a fazer mais operações de crédito”, afirma Samy Dana, professor de Finanças da Escola de Economia da FGV. “Mesmo assim, as taxas ainda são muito altas por causa da carga tributária e da inadimplência.”

Os juros poderiam diminuir se os bancos investissem mais, acredita Luiz Jurandir Simões, consultor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi). “Os bancos poderiam aplicar taxas mais baixas se usassem valores diferentes de acordo com o perfil de cada o cliente”, afirma ele.

Se precisar de crédito, o consumidor deve pesquisar e preferir o empréstimo pessoal ao cheque especial, que tem taxas mais altas, explica Cristina Martinussi, do Procon. “O consignado também é uma boa opção para substituir uma dívida antiga com juros elevados porque ele tem taxas ainda mais baixas “, aconselha ela.

De acordo com a pesquisa, em alguns bancos (Real, Santander e Unibanco) houve aumento nas taxas. Em nota, o HSBC, que na pesquisa do Procon está com juros médios em 9,34% em agosto, respondeu que sua taxa média ponderada atual é de 8,79% ao mês, e que em agosto de 2008, a taxa média ponderada era de 8,98%. A pesquisa do Procon refere-se a taxas máximas pré-fixadas para clientes não preferenciais.

Santander e Real enviaram nota informando que não se manifestam sobre o assunto e o Unibanco não respondeu.

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