Sony Ericsson lidera lista de queixas

Marcelo Moreira

21 de maio de 2009 | 22h27

LIGIA TUON – JORNAL DA TARDE

Marca de celular mais reclamada no Procon São Paulo em 2008, a Sony Ericsson também entrou na lista das dez empresas mais reclamadas de 15 estados brasileiros, dos 26 que estão integrados no Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor). A pesquisa é referente ao período que vai de 5 de fevereiro até 24 de março.

As reclamações dos consumidores registradas nesse sistema são relacionadas, em sua maioria, a celulares que já chegam com defeito e à abrangência e cobertura da garantia. Em São Paulo, a marca ficou em terceiro lugar no ranking, com 430 reclamações.

A reportagem do JT entrou em contato com dez técnicos de assistências técnicas diferentes, que confirmaram a frequência dos problemas em aparelhos da Sony Ericsson.

Eles elegeram dois modelos como os mais reclamados: W380a e W380i. Houve concordância também em relação ao motivo dos defeitos nesses modelos: quase todos os telefones chegam às assistências especializadas com problemas relacionados ao software, que nem sempre são fáceis de serem detectados.

De acordo com o engenheiro eletrônico e especialista em sistemas multimídia Rogério Pimentel, problemas de software são extremamente comuns em todos os tipos de equipamentos e são gerados na hora do desenvolvimento do aparelho. “Para isso, como teste final, é comum que as empresas disponibilizem uma versão preliminar do produto para poucos clientes, para testar seu funcionamento no dia a dia.”

Atualização

A Sony Ericsson disponibiliza atualização de software em seu site e em um ponto de captação de telefones, onde o cliente pode realizar o serviço na hora.

No entanto, os técnicos afirmaram que nem sempre a atualização de software feita pelo consumidor é eficiente. Em muitos casos, o celular nem mesmo volta a funcionar.

O administrador de empresas Paulo Tognatto comprou um celular Sony Ericsson do modelo W380i que apresentou problemas de software após três meses de uso. “O celular desligava sozinho com frequência, até que o display apagou e não voltou mais a funcionar”.

O celular de Tognatto foi trocado por um novo após 50 dias na assistência e começou a apresentar os mesmos defeitos do primeiro aparelho.
Rogério Pimentel explica também que novas tecnologias são mais propensas a apresentarem problemas pelo fato de serem mais complexas. “Além disso, muitas empresas privilegiam o custo da fabricação à qualidade, com o intuito de atender um público maior”.

Na Coluna Advogado de Defesa do JT, a Sony Ericsson foi a marca de celular mais reclamada. Somente no primeiro trimestre deste ano, foram recebidos 63 e-mails de leitores _ quase o triplo da segunda colocada.

Explicação

A Sony Ericsson explica que o aparelho W380i foi “perfeitamente planejado e que o índice de reclamação é proporcional à grande demanda do mercado por se tratar de um sucesso de vendas”.

Informa ainda que possui um índice de 95% de recuperação em relação a todos os produtos que recebem na assistência técnica autorizada.

O motivo de as assistências não credenciadas terem dificuldade em consertar os aparelhos é que “somente as autorizadas têm acesso às peças da marca”.
Mais informações podem ser encontradas no site www.sonyericsson.com.