Só 1% das motos têm seguro

Uma avaliação dos seguros de motocicletas oferecidos no Brasil realizada pela Pro Teste, entidade que atua na defesa dos direitos do consumidor, concluiu que o serviço é bom. Contudo, custa caro demais aos proprietários de motos, o que impede uma maior adesão dos donos desses veículos a esse tipo de proteção

Marcelo Moreira

17 de setembro de 2010 | 12h41

Luciele Velluto

Uma avaliação dos seguros de motocicletas oferecidos no Brasil realizada pela Pro Teste, entidade que atua na defesa dos direitos do consumidor, concluiu que o serviço é bom. Contudo, custa caro demais aos proprietários de motos, o que impede uma maior adesão dos donos desses veículos a esse tipo de proteção.

No levantamento produzido pela instituição de defesa do consumidor, os itens analisados foram exclusão, âmbito territorial, bônus, franquia, assistência 24h, escolha da oficina e indenização integral. Foram consultadas sete seguradoras em abril deste ano.

O item com pior avaliação em todas as companhias consultadas foi a franquia. “Analisamos em quais casos a franquia é cobrada e qual o valor”, explica Gisele Rodrigues, técnica da Pro Teste.

De acordo com a especialista, para todos os perfis de usuário, o preço da franquia ficou acima de R$ 1,5 mil, “o que consideramos caro”, afirma Gisele.

A exclusão também foi destaque negativo, com pontuação inferior aos demais itens analisados. Segundo Gisele, um dos aspectos negativos, e que tiravam pontos da seguradora, era quando a apólice não cobria enchente, tempestade entre outros tipos de risco.

Grande porte

Em todo o País, apenas motos de grande porte têm seguro. E essa não é uma regra. Segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), somente 1% das motocicletas contam com cobertura.

A restrição a esse serviço ocorre devido aos preços elevados cobrados pelas companhias de seguros. Enquanto o seguro de um carro de passeio varia entre 5% e 7% do valor do veículo, o de uma moto pode chegar a 30% conforme o perfil do usuário, região onde ele reside, uso da motocicleta e ainda modelo a ser segurado.

“O perfil do usuário reforça para que seja caro o preço do seguro, pois 75% dos que conduzem motocicletas são homens, com idade entre 21 e 35 anos e que trocaram o transporte público pelo veículo de duas rodas. Isso faz o mercado encarecer o serviço”, revela a técnica da Pro Teste.

O corretor de seguros José Pelosi Pires acrescenta outros fatores que influenciam diretamente para que o seguro de moto seja tão caro. De acordo com ele, os principais são o alto índice de roubo e ainda o maior risco de sinistralidade, pois, em uma batida, há mais chances de uma moto ter perda total do que um carro, sem contar os riscos ao condutor. “Geralmente, quanto menor a cilindrada (potência da moto), mais caro será a apólice”, diz Pires.

A grande variação de preço desse serviço pode ser exemplificada pelos perfis dos usuários. Segundo Pires, para um motociclista de 55 anos, com um modelo de 600cc de R$ 35 mil e que faz uso para lazer, o custo do seguro saiu por R$ 1,5 mil. Já para um segurado com 31 anos, cuja moto tem 300cc, custa R$ 15 mil e também é para o uso de lazer, o preço do serviço fica em quase R$ 5 mil. “A diferença não é apenas a idade, mas também a moto. A segunda é muito visada, tem alto índice de roubo”, conta o corretor.

As seguradores aceitam cobrir apenas motos para uso de lazer ou locomoção. No caso de motos usadas para trabalho, como de motoboys, o seguro é negado.

A recomendação da Pro Teste é sempre pesquisar o mercado antes de assinar o contrato de seguro. “Há muita diferença de preço entre uma seguradora e outra. O ideal é procurar um corretor credenciado, pois ele poderá cotar o preço da apólice com várias empresas e ainda sugerir o que é melhor para cada motociclista”, diz Gisele.

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