Site de plano deve ter mapa de atendimento

Marcelo Moreira

25 de junho de 2012 | 08h20

SAULO LUZ

A partir de agora, as operadoras de planos de saúde com mais de 100 mil clientes devem divulgar os mapas de suas redes assistenciais em seus sites. A determinação consta na Resolução Normativa nº 285 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que passa a vigorar hoje.

Os prazos e as exigências da resolução levam em conta o porte e a capacidade das empresas de convênios médicos. De hoje em diante, as operadoras com número superior a 100 mil beneficiários devem apresentar georreferenciamento por meio de imagens (mapas feitos por desenhos ou gráficos) ou mapeamento geográfico dinâmico (como imagens de satélite semelhantes às do GoogleMaps). A ferramenta deverá ficar disponível a todos e não apenas para os clientes das operadoras.

Os convênios com número de beneficiários entre 20 mil e 100 mil deverão oferecer o mapa da rede a partir de dezembro. Também a partir de dezembro as operadoras com até 20 mil clientes irão oferecer em seus sites apenas as informações obrigatórias da rede credenciada (as mesmas dos livros distribuídos pelos convênios, só que atualizadas), não sendo obrigatório exibir mapas.

A norma permitirá não só que o beneficiário localize, de forma mais fácil e ágil, todos os prestadores de saúde do plano como também qualquer cidadão que pesquise informações sobre a rede credenciada de prestadores da operadora de saúde do País.

No caso de paciente que procura hospital, laboratório ou outro estabelecimento de saúde mais próximo de sua casa, ele poderá fazer a busca por parâmetros como unidade da federação (Estados ou Distrito Federal), município, bairro, nome da rua e número, CEP ou telefones.

“Esses mapas devem ser atualizados em tempo real para o cliente não correr o risco de ir para um estabelecimento e só lá descobrir que não será atendido”, diz Joana Cruz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Os usuários também poderão enviar avisos, alertas e comentários e o sistema deverá contar com recursos típicos dos mapas encontrados na internet, como “zoom”, “traçar rotas”, “traçado de círculos concêntricos”, entre outros.

Na opinião da supervisora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) Polyanna Carlos Silva,o mapa também ajudará o consumidor a saber a situação de seu plano. “Com o mapa, o cliente pode avaliar a distribuição da rede e saber se está havendo muito descredenciamento de estabelecimentos em sua região. E vai poder denunciar isso para a ANS”, diz.

Em relação aos prestadores de serviços, a operadora deverá expor informações como nome fantasia do estabelecimento (pessoa jurídica) ou nome do profissional (pessoa física), tipo de estabelecimento, especialidades ou serviços contratados conforme o contrato firmado, endereço, telefones para contato.

Polyanna lembra que, mesmo com os novos mapas, as operadoras ainda são obrigadas a enviar os livros com a rede credenciada aos beneficiários. “Ainda é obrigatório o envio do livrinho, até porque muitos consumidores não têm acesso à internet”, diz.

A Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) afirma que grande parte das operadoras de planos de saúde já usava a internet como ferramenta, mesmo antes da exigência da ANS. “O que ocorre hoje é apenas a adaptação dessa prática às disposições daquela norma do órgão regulador no que diz respeito às informações de rede credenciada”, informou a entidade.

O consumidor que tiver dificuldades em acssar os mapas de sua operadora deve denunciar a empresa para a ANS, no telefone 0800 701 965 ou pelo site (www.ans.gov.br).  “A operadora que descumprir a resolução pode ser multada em até R$ 25 mil”, completa Joana.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.