Serasa e SPC irão partilhar banco de dados

Marcelo Moreira

01 Setembro 2011 | 07h09

Célia Froufe

O Big Brother da cobrança, que aponta o dedo para o consumidor com contas atrasadas, ganhará mais força a partir de agora. A Serasa Experian e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) firmaram acordo de troca de informações a respeito do tomador de crédito que já faz parte do cadastro de uma das empresas, ampliando o cerco aos inadimplentes.

Os executivos das companhias garantem que não se trata de um negócio propriamente dito, como fusão ou aquisição, mas, sim, acesso livre entre as partes do banco de dados da Serasa, que é mais voltado a pessoas jurídicas, e do SPC, focado na pessoa física. Em uma análise inicial, o governo torceu o nariz para a operação.

Basicamente, o que estará disponível para as duas entidades é o perfil do consumidor, com a informação sobre se ele tem o hábito ou não de pagar suas contas em dia. O que era uma ferramenta importante, principalmente para o pequeno lojista, ganha ainda mais relevância com o aumento das vendas e, consequentemente, da oferta de crédito, que é fruto da estabilidade econômica dos últimos anos.

“As classes C, D e E estão em franco crescimento no País e podemos dar agora uma informação mais precisa sobre esse consumidor”, avaliou o presidente do Conselho de Administração do SPC Brasil, Roberto Alfeu.

Na avaliação dele, um raio X mais fidedigno do consumidor é positivo para o setor produtivo, já que, com informações de mais qualidade, a concessão de crédito aumenta, o comércio vende mais e puxa a indústria para oferecer mais produtos. “Vamos melhorar em meio a esse movimento de possível alta da inadimplência”, acrescentou o superintendente do SPC Brasil, Nival Martins.

Os dados mais recentes do SPC Brasil mostram que o volume de consultas ao sistema, uma espécie de termômetro das vendas, cresceu 5,22% este ano até o mês passado na comparação com o mesmo período de 2010. De janeiro a julho deste ano, a inadimplência avançou 4,91% – a sexta elevação consecutiva e, portanto, a taxa média mais alta de 2011 até o momento.

Resta saber o que os órgãos do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) dirão sobre a união dos cadastros. Segundo executivos do SPC Brasil, os advogados das empresas enviarão a documentação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e às secretarias de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, e de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda nos próximos 15 dias.

Os órgãos do SBDC não quiseram se manifestar sobre o tema porque ainda não tiveram conhecimento oficial da operação. Fontes do governo avaliaram que, ainda que não envolva dinheiro, a operação tem “toda pinta de um ato de concentração” justamente porque o principal ativo dessas empresas é a informação e o acesso aos consumidores.

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