Seguro de carro sobe 6,6%

Elevação foi registrada na Região Metropolitana de São Paulo em janeiro e fevereiro e supera o IPCA. Proprietários de veículos reclamam dos novos preços, bem mais salgados

Marcelo Moreira

10 de março de 2011 | 08h43

Marcos Burghi

Ao procurar as seguradoras para renovar a apólice de seu New Civic 2007 em fevereiro, o administrador de empresas José Antonio Araújo, 40 anos, teve uma surpresa: o valor de R$ 1,55 mil cobrado no mesmo mês do ano passado havia se transformado em R$ 2,2 mil este ano, um aumento próximo de 42%. “Em outra cotação que fiz, o total chegava a R$ 3,6 mil”, conta.

Embora em proporção bem menor, o aumento do valor do seguro de veículos também foi detectado no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pelo levantamento, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), o serviço acumula alta média de 6,6% nos dois primeiros meses do ano, ante 1,88% da inflação geral. A alta põe fim a uma trajetória de queda no período (janeiro e fevereiro) que durava havia dois anos.

Francisco D’Orto, coordenador do MBA Executivo em Seguros da Trevisan Escola de Negócios, afirma que o aumento registrado pelo IBGE e em maior ou menor grau testemunhado pelos consumidores, é fruto do aumento do volume de indenizações pagas pelas seguradoras em 2010, chamadas tecnicamente de sinistros.

Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que no Estado o valor total passou de R$ 3,8 milhões em 2009 para R$ 4,1 milhões no ano passado, um incremento de 8%.

Segundo ele, parte do desembolso se refere às chuvas que castigaram a região nos primeiros meses de 2010. “As enchentes foram componente importante nos cálculos dos reajustes”, afirma. Na avaliação de D’orto, as chuvas deste ano devem levar a novos aumentos ao longo de 2011 e no início de 2012.

O tamanho dos aumentos, explica, vai depender do montante que as companhias pagarem aos seus segurados. O professor lembra que, além das cheias, também são levados em conta níveis de roubos, furtos e acidentes. “Acredito que fique no patamar dos 6% como este ano”, avalia.

Mário Sérgio Santos, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguro do Estado de São Paulo (Sincor-SP), não concorda com a avaliação do professor da Trevisan. Santos afirma que o aumento acumulado até fevereiro de 2011é consequência do repasse da inflação de 2010 que, segundo o próprio IPCA, marcou 5,9%.

“As chuvas ainda não aparecem na formação dos preços. Se isso acontecer será lá para junho ou no segundo semestre”, afirma Santos.

Segundo ele, outra razão para o aumento está na alta dos custos de manutenção de automóveis, que afetam diretamente o custo do seguro. De acordo com o IPCA, os preços dos serviços de conserto de automóveis acumulam alta de 1,4% na RMSP no primeiro bimestre de 2011, abaixo da inflação geral no período, que é de 1,9%.

Seja qual for o motivo da alta, o consultor Ernani de Oliveira, 35 anos, também ficou surpreso. Vai gastar cerca de R$ 3 mil para segurar seu CrossFox 2011. “Em 2010, quando fiz o seguro de igual modelo daquele ano desembolsei cerca de R$ 2,2 mil”, conta.

Oliveira afirma que procurou alternativas em outras seguradoras, além daquela com a qual já trabalhava, mas não obteve êxito. “Em um dos lugares que fui me propuseram R$ 4,5 mil”, conta.