Rótulos de alimentos infantis são falhos

Marcelo Moreira

24 de maio de 2012 | 08h10

CAROLINA MARCELINO E MONIQUE ABRANTES

Levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) mostrou que produtos destinados ao público infantil não fornecem orientação nutricional correta em suas embalagens.

Vários alimentos de marcas diferentes foram analisados: macarrão instantâneo, mini frango empanado congelado, bolacha e bolo recheados e salgadinhos de milho. Em todos, o Idec encontrou uma tabela nutricional de 2 mil calorias, que é destinada para um adulto e não para uma criança ou adolescente.

Segundo a gerente de relacionamento do Idec, Karina Alfano, as empresas não podem dar desculpas. “As análises foram feitas em produtos com indiscutível apelo infantil e que traziam personagens licenciados e mensagens direcionadas às crianças.”

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um regulamento que obriga que as empresas coloquem em suas embalagens o valor nutricional do produto. No rótulo tem de constar a quantidade de carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, sódio e do valor energético.

Por idade

O problema é que a agência não obriga que as informações sejam específicas por faixa etária. Só que o Código de Defesa do Consumidor obriga o fabricante a informar claramente o que há no produto, o que não está acontecendo com vários alimentos infantis.

Ainda de acordo com a gerente do Idec, a pesquisa foi realizada por causa do aumento da obesidade infantil. “Os pais que compram as coisas pensando na dieta do filho acaba enganado com essas embalagens.”

É o caso do frango empanado. Em uma dieta para adultos, o porcentual de sódio representa 38% da quantidade diária recomendada. Porém, este número triplica em uma dieta para crianças entre 4 e 6 anos. Além disso, o instituto aponta a necessidade de padronizar as porções no rótulo para facilitar a vida do consumidor na hora de comparar uma empresa para outra.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira do Consumidor (ABC), Marcelo Segredo, a Anvisa deveria acompanhar melhor o cumprimento disso. “Além desse controle, acredito que seja necessário ter multas que doessem financeiramente para as empresas. Só assim elas absorveriam a importância da regra.” 

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que nos últimos 20 anos o número de crianças obesas entre 5 e 9 anos aumentou quatro vezes. Além disso, eles apontam que a maior causa da doença está relacionada a alimentação desequilibrada, aos maus hábitos da família e ao sedentarismo.

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