Redes sociais: a solução dos arrependidos

Marcelo Moreira

28 de setembro de 2011 | 17h43

Camila da Silva Bezerra

Sem o amparo do Código de Defesa do Consumidor, que garante direito à devolução de ingressos comprados pela internet ou telefone no prazo de sete dias ou em caso de cancelamento de um show ou evento, os consumidores arrependidos encontraram nas redes sociais uma forma de não ficar com o prejuízo nas mãos.

“No caso da impossibilidade do consumidor, como doença ou motivo profissional, a empresa não tem a obrigação de devolver o valor do produto”, explica a advogada Gisele Friso, que é especialista em direito eletrônico.

Para Gisele, consumidores nessa situação devem tentar uma solução com as empresas que comercializam as entradas ou as produtoras do evento. “Em geral, empresas que trabalham com eventos e pacotes turísticos aceitam o cancelamento de um serviço sob a condição de aplicar uma multa. O problema é que, no caso de shows e eventos culturais, o contrato de prestação de serviço não é formalizado”.

Silvio Cordeiro, da Ingresso Rápido, afirma que a empresa aceita estornar o valor do ingresso por qualquer motivo até 48 horas antes do evento. Para isso, o consumidor deve voltar ao ponto de vendas onde adquiriu o tíquete e preencher um formulário. Já para as compras feitas pela internet e televendas é preciso entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente.

A reportagem também procurou a Livepass, Ingresso Rápido e Ingresso.com, mas não obteve retorno dessas empresas.
Sem saber se tem ou não meios para devolver as entradas, a solução para o consumidor arrependido é tentar trocá-las ou vendê-las nas redes sociais.

Os ingressos do Rock in Rio, por exemplo, se esgotaram em maio, mas interessados ainda podem encontrar tíquetes para todos os dias do evento no Twitter e no Facebook.

Uma das vendedoras é a publicitária Milena Bolognese, de 26 anos, que comprou quatro ingressos e desistiu de ir ao evento depois que suas bandas favoritas confirmaram shows também em São Paulo. “Mas nem tentei o reembolso, porque nunca vi alguém conseguindo isso. Aliás não sei nem quem, onde ou como procurá-lo. Não quero perder esse dinheiro, então estou me esforçando para vendê-lo, principalmente nas redes sociais”, conta a jovem que, até agora, já conseguiu recuperar o valor de três entradas.

Porém, nem sempre a estratégia dá certo. A estudante Naiade Alves, de 19 anos, desistiu de participar do festival SWU do ano passado porque não quis ir sozinha. Ela então tentou encontrar interessados no evento nas comunidades do Orkut. Como não conseguiu compradores na web, o jeito foi vender o ingresso no próprio local do evento. “Pedi para um primo, que ia com os amigos dele, vender o ingresso na porta do festival porque lá ia ser mais fácil. Tinha certeza que ia ter alguém que iria preferir não pegar uma fila gigantesca.”

 

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