Reclamações contra golpe do seguro crescem 43%

Marcelo Moreira

20 de abril de 2010 | 16h17

Denúncias contra falsos corretores chegaram a 1.832 no ano passado, segundo a Susep, órgão do governo que fiscaliza o setor. Fraude mais comum é a cobrança de taxa para o resgate de um seguro que, na verdade, não existe

 PAULO JUSTUS – JORNAL DA TARDE

 Os golpes envolvendo seguros registraram crescimento expressivo em 2009. A Superintendência de Seguros Privados (Susep), órgão público responsável pelo controle e fiscalização do setor, recebeu 1.832 denúncias feitas por pessoas que foram enganadas por falsos corretores, uma alta de 43,2% na comparação com 2008.

O Estado de São Paulo responde por 50% desse fluxo de golpes e denúncias, de acordo com o Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP). “Em São Paulo, o crescimento do número de golpes acompanhou o ritmo do resto do País”, diz Leôncio de Arruda, presidente do Sincor-SP.

No Estado, a alta dos golpes fica evidenciada também pelo número de corretores com registro cassado, que subiu de 31 em 2008 para 42 no ano passado. “Esse é um número baixo se comparado à base de 28 mil corretores que existem no Estado, mas alto se comparado à média de uma ou duas cassações por ano, que tínhamos até 2000”, diz Arruda.

Segundo ele, em geral os golpistas têm conhecimento do mercado. “São ex-funcionários de seguradoras e pessoas ligadas ao mercado, que sabem qual é a abordagem com o cliente”, afirma.

O elemento comum a todos os golpes são sempre as vantagens oferecidas à vítima. Saldos a receber, prêmios especiais e preços muito abaixo dos praticados no mercado são as principais características das fraudes com seguros.

 A coordenadora de atendimento da Susep, Glória Barbosa da Silva, diz que o golpe mais aplicado é aquele em que falsos corretores ligam para as vítimas dizendo que elas têm algum valor a receber da seguradora, mas que para isso, precisam fazer um depósito par a suposta seguradora.

“As principais vítimas são aposentados e pessoas idosas, que são mais crédulas”, diz. Viúvas e pessoas com menos experiência em seguros também são alvos preferenciais dos golpistas.

O contato também é feito por e-mail e por carta, sempre com a proposta de que a pessoa tem algum valor a receber, seja de uma seguradora ou até plano de previdência privada, mas que para isso precisa fazer um depósito. Em alguns casos, o criminoso mostra que tem dados pessoais da vítima, como RG, endereço e nome completo, para conquistar sua confiança.

Há também casos em que falsos corretores se aproximam das vítimas com documentação falsa, inclusive carteirinhas falsificadas da Susep e formulários de apólices. “Nesse caso, o cliente paga pelo seguro e não consegue mais localizar o corretor”, diz Arruda.

Em alguns casos, o golpista que se passa por corretor vende um seguro à vista, mas repassa à seguradora apenas o valor referente à primeira parcela do ano. Quando a vítima percebe, já perdeu o seguro, por falta de pagamento das parcelas seguintes. Em outro golpe, o falso corretor chega a vender um seguro, mas com uma cobertura menor ou diferente da combinada. “Existem casos de pessoas que pagam por seguros de vida, mas contratam, na verdade, seguros de acidentes pessoais”.

O combate à fraude é dificultado pela cautela dos golpistas. “É muito difícil provar esse tipo de golpe, porque os fraudadores tomam precauções para não serem rastreados, só usam celular e e-mails como forma de comunicação”, diz Danilo Sobreira, assistente da diretoria da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados (Fenacor).

A principal arma do consumidor contra esses golpes é a informação. “Quando alguém oferecer um seguro com descontos acima de 40% do valor do mercado, desconfie”, recomenda Arruda. Outra dica que ele dá é em relação à abordagem do golpista. “Se alguém diz que é corretor de determinada seguradora já é golpe, porque o corretor não pode ser vinculado a uma seguradora”, diz.   

PREVINA-SE

 * A principal dica para não cair num golpe de falsos corretores e seguradoras é desconfiar das vantagens excessivas. Não existem seguros que dão prêmios ou saldos para ex-segurados, nem corretores vinculados a determinadas seguradoras que podem dar descontos espetaculares

* Em geral os golpistas só fornecem celulares e sites com informações falsas. Desconfie de corretores que não dão o número de telefones fixos nem endereços de contato verificáveis. Confira sempre se o corretor de seguros é habilitado

* Para saber se o corretor de seguros é habilitado, o consumidor pode acessar o site da Federação Nacional de Corretores de Seguros Privados (www.fenacor.com.br). Lá clique em Cadastro/Pesquisa no menu Serviços para ter acesso ao formulário de busca. Preencha o nome do corretor que procura (sem acentuação). Caso o corretor esteja com situação cadastral ativa, significa que está habilitado para trabalhar

 * O Sindicato dos Contadores de Seguros Privados de São Paulo tem o número 0800 11 4999 para informações a respeito dos corretores. No telefone é possível consultar a habilitação do corretor e denunciar tentativas de golpes

 * No site da Superintendência de Seguros Privados (www.susep.gov.br) é possível consultar as seguradoras em atividade no País.

* A Susep também disponibiliza o 0800 021 8484 para atendimento ao público

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