Reajuste dos remédios será de até 5,9%

Marcelo Moreira

11 de março de 2009 | 22h06

FABRÍCIO DE CASTRO – JORNAL DA TARDE

Os preços dos medicamentos ficarão mais altos a partir de 31 de março. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) autorizou ontem o reajuste de até 5,9% para cerca de 20 mil produtos vendidos em farmácias e drogarias.

Na lista, estão os medicamentos com preços controlados pelo governo, o que exclui os fitoterápicos e os homeopáticos. O aumento é exatamente igual ao da inflação acumulada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre março de 2008 e fevereiro de 2009.

Para calcular o reajuste, a Cmed considerou a variação do IPCA desde o último aumento e a participação dos genéricos no mercado. Este ano, o teto máximo para aumentos ficou em 5,9%, mas a tendência é que os preços para o consumidor final subam menos.

A Cmed lembra que o índice serve apenas como referência. Na farmácia, os reajustes acabam sendo menores. “Os preços sobem menos, porque toda a cadeia de produção tem uma política de descontos”, explica Ciro Mortella, presidente-executivo da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma).

Isso ocorre, segundo ele, por conta da concorrência.
No ano passado, por exemplo, o IPCA registrou alta de 5,90%, enquanto os medicamentos subiram 3,98% nas farmácias, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Febrafarma lembra ainda que os aumentos não são automáticos. Apesar de estarem autorizados, sua aplicação é definida por meio de negociações entre laboratórios, distribuidores e a rede varejista. “Se não houvesse a tabela do governo, provavelmente teríamos movimentos mais poderosos de concorrência”, afirma Mortella da Febrafarma.

Para o consumidor, no entanto, os aumentos ainda são um problema. Dados de 2003 do IBGE mostravam que, no Brasil, uma família gastava em média R$ 46,44 por mês com remédios. Mas a despesa vai aumentando com a idade. Pessoas com mais de 70 anos chegavam a gastar R$ 73,83 por mês naquele ano.
No último trimestre de 2008, os remédios também passaram a pesar mais no bolso dos idosos. O Índice de Preços ao Consumidor – 3ª Idade (IPC-3i), medido pela Fundação Getúlio Vargas, mostrou uma alta de 0,30% nos preços dos medicamentos em geral.

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