‘Quer pagar quanto?’ rende indenização

Marcelo Moreira

05 Maio 2010 | 22h20

 PAULA PACHECO – O ESTADO DE S. PAULO
 

Uma das campanhas mais marcantes das Casas Bahia rendeu uma dor de cabeça para o departamento jurídico da empresa. A rede de varejo foi condenada a pagar R$ 15 mil à ex-funcionária Elisabete dos Santos Ribeiro. A condenação, em segunda instância, foi por assédio moral. Tudo por causa do slogan da campanha “Quer pagar quanto?”.

O bordão, que começou a ser divulgado em peças publicitárias de TV em 2001, foi motivo de constrangimento, segundo queixa de Elisabete.

Na época da ação de marketing, Elisabete trabalhava como vendedora das Casas Bahia em Sorocaba, interior paulista, e contou na ação, julgada pela Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, que foi “constantemente ridicularizada” por ter de usar no trabalho um broche com o slogan “Quer pagar quanto?”.

Segundo a desembargadora relatora Elency Pereira Neves, que decidiu a favor da vendedora, Elisabete relatou no processo que ela e as demais mulheres que trabalhavam na loja “eram constantemente ridicularizadas com piadas dos demais colegas ou clientes”.

O uso do broche, segundo o processo, era obrigatório. Quem não usasse o acessório era advertido pelo gerente da loja. As exigências foram consideradas pela Justiça como conduta abusiva.

“Havia clientes que faziam insinuações e chegaram a perguntar ‘quanto você quer que eu pague por você?’ ou ‘quanto você quer que eu pague para ter você?’”, relatou a ex-funcionária. “As chacotas dos clientes ocorriam de forma rotineira”, explicou Elency.

Além da ação por assédio moral, Elisabete pediu uma indenização por horas extras trabalhadas e não pagas pela empresa.

Procurada pela reportagem, a empresa não comentou a sentença. As Casas Bahia têm até 10 de maio para recorrer no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília. A decisão foi publicada no Diário Oficial no dia 30 de abril.

Com a campanha, o ator Fabiano Augusto ficou conhecido como a figura símbolo das Casas Bahia. Como maior anunciante do País, a empresa tinha poder de fogo para bombardear as TVs no horário nobre com o ator, que anunciava quase aos gritos: “Quer pagar quanto?”.

A concorrência ficou incomodada com o slogan “chiclete”, mas ele ficou no ar por mais de dois anos. Com o tempo, porém, a fórmula começou mostrar sinais de desgaste. O ator Fabiano Augusto foi afastado e o slogan, aposentado pela empresa de varejo.

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