Queixa 'high tech' se torna comum

Marcelo Moreira

09 de setembro de 2008 | 19h15

FABRÍCIO DE CASTRO – JORNAL DA TARDE

As reclamações contra empresas da área de tecnologia ficam mais comuns com a popularização de produtos como celulares, computadores, TVs por assinatura e serviços ligados à internet.

De janeiro a agosto, a coluna Advogado de Defesa, do JT, registrou um total de 3.640 reclamações. Dessas, 1.046 (29% do total) estavam relacionadas a empresas da área de tecnologia. As operadoras de celulares são as campeãs de queixas.

Embora algumas das reclamações sejam mais complexas, já que se referem a produtos e serviços recém-lançados no mercado, os motivos variam pouco.

“Muda a tecnologia, mas para o consumidor o que ainda importa é a qualidade, o preço cobrado e o atendimento”, afirma o advogado especialista em direitos do consumidor e consultor do JT, Josué Rios. Ele afirma que a mudança da tecnologia serviu para seduzir ainda mais o consumidor. “Vende-se muito, mas não se melhora em relação à qualidade.”

O advogado afirma que o Código de Defesa do Consumidor, que completa 18 anos na próxima quinta-feira, ainda atende às necessidades dos brasileiros, apesar das inovações tecnológicas. Mas, segundo Rios, a pressão sobre as empresas diminuiu nos últimos anos.

“Elas administram as reclamações com um custo baixíssimo. E a maioria dos consumidores nem mesmo reclama”, afirma o advogado. “A tecnologia é boa para vender e para inovar, mas não é boa para atender o consumidor? O problema é outro.”

A diretora da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, também acredita que o Código atende às necessidades do cliente. “Ele é, inclusive, um modelo para outros países”, afirma.

A questão, de acordo com Maria Inês, é que as empresas não investem como deveriam no atendimento. Elas se limitam a vender. “São ineficientes. Apenas recebem as chamadas e não fornecem as soluções”, afirma.

No limite, resta aos clientes que se sentirem lesados reclamar aos órgãos de defesa do consumidor e até levar e discutir o caso na Justiça.

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