Quanse 200 carros no canteiro central do Ipiranga

Marcelo Moreira

21 de janeiro de 2010 | 06h11

MARCELO MOREIRA – JORNAL DA TARDE

“Do jeito que está, até as 7h30 a água baixa e dá para entrar na empresa.” Esse foi o comentário do empresário Maikon Magni, descalço, escorado em um caminhão de sua empresa, às 4h40 da última quinta-feira, na avenida Dom Pedro I, no Ipiranga.

A aparente calma na verdade era frustração de ver o córrego tomar conta das duas pistas da avenida Tereza Cristina, paralela à avenida Dom Pedro I.

Ele ainda trabalhava em sua Mac Magni, especializada em redes de fibra óptica, às 22h, quando a forte chuva começou. “Os vizinhos logo começaram a buzinar, sinal de que o rio iria transbordar. Consegui retirar os caminhões e levá-los para a avenida.”

Assim como ele, quase todos os moradores ou empresários com imóveis na avenida Tereza Cristina se apressaram a retirar seus veículos e colocá-los no canteiro central da avenida Dom Pedro I.

às 4h40 de quinta-feira, eram 194 automóveis no canteiro central da avenida, no sentido Museu do Ipiranga-Avenida do Estado. Estacionadas na pista central, estavam oito carretas.

A chuva intermitente no Ipiranga começou às 22h e só arrefeceu por volta de 1h30, mas foi o suficiente para que o córrego transbordasse.

A Avenida do Estado teve de ser interditada nos dois sentidos por volta das 2h30, entre o Parque Dom Pedro e o Sacomã, na zona sul, próximo da Vila Prudente.

Carros e camihões eram obrigados a voltar pela contramão no sentido Ipiranga e procurar alternativas no Cambuci e na Aclimação para tentar acessar as cidades do ABC e os bairros próximos à Saúde e Vila Mariana.

Na via Anchieta, outro tormento. O Ribeirão dos Couros, no km 12, que faz a divisa entre São Paulo e São Bernardo, transbordou e interditou a duas pistas no sentido Capital e a pista central no sentido Litoral.

às 5h10 de quinta-feira, o tráfego bloqueado no km 12, sentido Capital, era de oito quilômetros. A fila de caminhões e ônibus intermunicipais parados era imensa.

Muitos motoristas, encarando a chuva, conversavam “animadamente” à espera de algum tipo de informação da Polícia Rodoviária Estadual ou da Ecovias, a concessionária que administra o sistema Achienta-Imigrantes.

Por volta de 5h, o empresário Maikon Magni, ao lado de três funcionários, tentava revisar em voz alta a agenda do dia e decidir quais compromissos seriam adiados.

“Há 13 anos tenho a empresa nessa região e moro aqui. Pelo menos uma vez por ano acontece uma enchente desse porte, mas sempre em fevereiro. Esse ano veio mais cedo. Será um sinal?”

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