Quando o convênio faz mal à saúde

Marcelo Moreira

18 de março de 2011 | 08h24

Camila da Silva Bezerra

Ademar Tomazim, comerciante paulistano de 60 anos, quase ficou tetraplégico devido à demora da operadora de saúde para liberar uma cirurgia. O cliente teve uma pequena fratura na vértebra cervical (localizada no pescoço), mas foi informado pela Medial Saúde que, se quisesse realizar a cirurgia corretiva, deveria desembolsar R$ 7,8 mil, mesmo pagando em dia a mensalidade e tendo a cobertura para o procedimento.

Tomazim e a mulher, Rosely, sofreram um acidente de trânsito no início de fevereiro deste ano. O casal foi ao Hospital Alvorada, credenciado da operadora, para fazer alguns exames, mas nenhuma fratura foi diagnosticada.

Alguns dias depois, Tomazim retornou ao hospital com fortes dores no pescoço. Só então, uma semana após acidente, a fratura foi constatada. Ele descobriu também que teria de ser internado, mas em outro estabelecimento.

Funcionários da Amil afirmaram que meu pai não tinha direito de ficar internado no Alvorada, porque aquele tinha sido descredenciado para os clientes da Medial. A pessoa informou ainda que ele poderia ser transferido para três outros hospitais, mas eu não poderia escolher o hospital, pois iria para o primeiro que tivesse vaga”, relatou Vanessa, filha do casal.

De acordo com a Lei Federal 9.656, serviços ou unidades descredenciadas devem ser informadas aos conveniados com, pelo menos, 30 dias de antecedência. “O consumidor tem de ser comunicado previamente e o hospital deve ser substituído por outro da mesma qualidade”, explicou Juliana Ferreira, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

A família de Tomazim protestou e conseguiu evitar a transferência, mas descobriu que teria de arranjar os R$ 7,8 mil para pagar a cirurgia da noite para o dia. “Às 21h do dia anterior à cirurgia, minha filha foi chamada por um representante da Medial, que queria o pagamento de R$ 7,8 mil para cobrir o custo de materiais que seriam usados na intervenção”, disse Rosely.

Sem o pagamento, não haveria cirurgia. “Se era uma cirurgia de urgência, esta não poderia ser cancelada ou atrasada”, disse Selma do Amaral, diretora de atendimento do Procon.

Ao descobrir que seu pai poderia ficar tetraplégico e que a cirurgia ainda não tinha sido autorizada, Vanessa procurou autoridades e a imprensa. Só depois de mais protestos é que a cirurgia foi autorizada e realizada com sucesso – o cliente não precisou desembolsar a quantia extra solicitada.

“Ainda que o problema tenha sido resolvido, os consumidores que passarem por situações semelhantes devem denunciar hospitais e operadoras para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para que o órgão regulador possa tomar consciência do serviço prestado pelas empresas de saúde”, incentivou Juliana Ferreira, do Idec.

Em nota, a Medial apenas informou que o tratamento recebido pelo paciente foi adequado, bem-sucedido e oferecido de acordo com a cobertura contratada. A empresa informou ainda que está acompanhando o pós-operatório, também previsto no plano de Tomazim.