Quando a compra do imóvel vira problema

Marcelo Moreira

17 Maio 2010 | 09h00

MARCOS BURGHI – JORNAL DA TARDE

 

O analista de testes Eduardo Gouveia, 27 anos, casou-se há cerca de três semanas. Pretendia morar em um dos apartamentos do bloco 9 do Residencial Villa Park, comprado em junho de 2007 por R$ 75 mil, cuja previsão de entrega, segundo ele, era janeiro deste ano.

Gouveia afirma que o empreendimento, com 351 apartamentos divididos em 15 blocos, erguido pela construtora Tenda no Parque do Carmo, zona leste da capital, teve a entrega adiada por duas vezes: a primeira para março e depois para 30 de abril, mas até o momento, nada.

ATRASO NA ENTREGA DE IMÓVEIS NOVOS

Gouveia mora em um cômodo alugado enquanto o prédio não é entregue (FOTO: KEINY ANDRADE/AE) 

Segundo o analista de testes, a empresa alegou problemas no habite-se, documento expedido pela Prefeitura que garante que o imóvel está pronto para uso. Enquanto espera, ele e a mulher moram em um cômodo alugado por R$ 200. Os móveis continuam nas lojas. “Negociei para adiar as retiradas”, afirma. Além do aluguel, Gouveia garante que segue com os desembolsos das prestações do imóvel, atualmente em R$ 700.

O designer Ariel Zampoli, 26 anos, conta que comprou um apartamento no empreendimento Estilo Vila Mariana, da MKS Empreendimentos, cujo valor era de R$ 186 mil em junho de 2009, com previsão de entrega para setembro.

Inicialmente, as chaves deveriam ser entregues em setembro, mediante o pagamento de um volume de parcelas no total de R$ 20 mil. O pagamento foi feito, mas as chaves não vieram. Enquanto espera, segue pagando R$ 1.755 de prestação mensal. “Vivo em Itaquera e trabalho em Moema, escolhi a Vila Mariana porque é mais perto do trabalho”, afirma.

Os casos de Gouveia e Zampoli são parte dos problemas de um mercado que, segundo dados mais recentes, cresceu cerca de 40% entre 2006 e 2009 no volume de unidades financiadas com recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O advogado Wilson Gomes, presidente da Associação Brasileira de Mutuários (ABM), organização que auxilia consumidores com problemas relacionados a imóveis, afirma que, com o crescimento do mercado, as reclamações por atraso têm sido “mais frequentes”.

O advogado recomenda que os consumidores optem por empreendimentos financiados por bancos. Se houver dificuldades com a construtora, o banco toca a obra com outra empresa”, diz.

Outro detalhe que Gomes recomenda verificar é se a empresa usa o mesmo nome em todos os empreendimentos que realiza. Ele afirma que há companhias que atuam no mercado e que criam um nome para atuar em cada projeto. “Isso pode dificultar a vida dos consumidores”, afirma.

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