Produto novo com defeito, o terror das compras de Natal

Consumidor deve se preparar para eventuais problemas técnicos, especialmente com eletrodomésticos. Segundo o Procon, os atendimentos a clientes com esse tipo de problema aumentaram mais de 40% no primeiro semestre

Marcelo Moreira

09 de novembro de 2010 | 08h13

Lígia Tuon

Produto novo com defeito, especialmente eletrodoméstico. Essa é a maior dor de cabeça que o consumidor deve enfrentar neste final de ano, segundo o Procon-SP. De acordo com o órgão, esta questão foi a que levou o maior número de pessoas a reclamar em seus postos no segundo semestre de 2009 e no primeiro deste ano.

Só que no semestre passado, em comparação com o anterior, as queixas aumentaram. Reclamações sobre microcomputadores e artigos de informática que já chegam com problema, por exemplo, cresceram 47,1%; sobre geladeiras, a alta foi de 41%.

Esse aumento tem duas razões principais: a ampliação dos canais de atendimento do órgão e as maiores facilidades para a compra. “As empresas estão oferecendo preços mais atraentes, principalmente durante o período de isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), e melhores condições de crédito”, afirma a assistente de direção do Procon, Selma do Amaral.

No entanto, os fabricantes e revendedores não se preparam para o pós venda. “Isso é muito comum no mercado. Somente em um segundo momento, depois que surgem índices negativos de reclamação, é que as empresas buscam ajustar o serviço de atendimento ao consumidor e ampliar assistências autorizadas”, acrescenta Selma.

O setor de vestuário também registrou aumento de atendimentos registrados pelo órgão no período. Consultas sobre produtos entregues com defeito tiveram 16,81% de aumento. “Registramos reclamações sobre o tamanho das roupas. Mas já estamos reformulando a padronização das peças. Fora isso, não houve nenhuma outra mudança no setor que justificasse essa alta”, diz o presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad.

O segurança Adriano Tavares aproveitou o seu 13º salário para comprar um computador no Natal do ano passado, mas teve problemas. “O produto pifou três dias após a compra. Acionei a assistência autorizada, e só recebi o aparelho de volta depois de dois meses.” André Munhoz, bancário, também sofreu com o atendimento pós venda.

“Dei um notebook de presente de Natal para minha mulher no ano passado e, ao chegar em casa, notamos que o aparelho não carregava. Tentei trocar, mas não tinha no estoque. Recebi um de modelo superior após dois meses, depois de muita insistência.”

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