Procon ameaça outros setores com suspensão de atividades

A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP) pode, como forma de sanção, suspender temporariamente as atividades de outras empresas que “persistirem em praticar infrações graves que coloquem em risco a saúde ou a segurança do consumidor

Marcelo Moreira

12 de novembro de 2010 | 18h16

Carolina Dall’Olio e Lígia Tuon

A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP) pode, como forma de sanção, suspender temporariamente as atividades de outras empresas que “persistirem em praticar infrações graves que coloquem em risco a saúde ou a segurança do consumidor”. E alguns setores já estão na mira da entidade.

A afirmação foi feita por Paulo Arthur Góes, diretor de fiscalização Procon, um dia depois de anunciar o fechamento, por 12 horas, de 11 supermercados em São Paulo que vendiam produtos com prazo de validade vencido.

Como informou ontem o JT, a decisão – inédita na história do Procon-SP – foi tomada após a entidade aplicar multas às empresas e verificar que, mesmo assim, a falha não havia sido corrigida.

“A sanção tem caráter pedagógico e só foi aplicada depois de muito diálogo”, afirma Góes. A medida, portanto, marca uma nova tomada de posição do Procon. “É uma tendência que esse tipo de decisão seja estendida às empresas que praticam infrações graves mesmo depois de serem alertadas e multadas pelo Procon.”

Góes admite que, além dos supermercadistas, a Fundação já tem outros setores na mira. Mas não revela quais são. “Não queremos fazer nada de forma precipitada, mas tomaremos as medidas necessárias para que o consumidor pare de ser lesado.”

Para Stan Braz, diretor executivo da Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (Abrarec), a suspensão das atividades de uma empresa como forma de sanção representa um grande desgaste para a imagem da marca. Por isso, ele avalia que o Procon deve ser cauteloso, e analisar “caso a caso”, antes de disseminar essa medida.

“O consumidor sabe que um local só é fechado por um motivo grave”, diz Braz. “Portanto, quando isso acontece, o cliente fica inseguro e pode não voltar mais a comprar naquele lugar.”

O aposentado Davi Thomé já encontrou produtos vencidos nas prateleiras de supermercados pequenos em duas ocasiões. “Em uma delas, era um saco de feijão”, conta. Ele até foi ao estabelecimento para fazer a troca. Mas perdeu a confiança. “Depois do segundo erro, nunca mais voltei lá”, afirma.

Mas quando a empresa corrige o erro, o consumidor tende a valorizar essa atitude. A estudante Raquel Marques, quase comprou um iogurte vencido em um supermercado pequeno. “Quando reclamei, eles tiraram os produtos da prateleira na mesma hora”, conta Raquel.

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