Pressão dos convênios é constante, diz médico

O cirurgião vascular Francisco Osse deixou de realizar consultas por convênio há mais de 10 anos porque, segundo ele, o modo como as empresas tratam os médicos prejudicam o exercício da profissão

Marcelo Moreira

28 de setembro de 2010 | 17h46

O cirurgião vascular Francisco Osse deixou de realizar consultas por convênio há mais de 10 anos porque, segundo ele, o modo como as empresas tratam os médicos prejudicam o exercício da profissão.
 
 Os convênios médicos realmente interferem nos procedimentos realizados e na quantidade de demandas?

Acontece muito. Não apenas em exames, mas também em cirurgias e até tratamentos.
 
 Por que isso acontece?

Os médicos recebem por procedimentos realizados. Por isso, muitos pedem exames ou cirurgias sem necessidade. Os convênios não repassam os ajustes que fazem às mensalidades e exigem que o médico trabalhe sem qualidade de atendimento. O que acontece é um pedido exagerado de exames e procedimentos que o convênio se recusa a cobrir. O médico vive de migalhas.

Os convênios chegam a pedir para que os procedimentos realizados diminuam?

Não apenas pedir, mas ameaçam. Dizem que se não diminuir, vão excluir o médico ou a clínica do seguro.

E como o paciente é envolvido na questão?

Muitas vezes, o paciente nem sabe do que acontece. Acha que o que paga para o convênio é repassado para o médico.

Existe uma solução ?

 Acredito ser preciso pagar o que é justo aos médicos. Como eles ganham por procedimento, às vezes pedem mais do que o necessário.

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